'Não quero ser a salvadora da MPB'
Pesou a responsabilidade de fazer um disco que fosse tão bem aceito como o primeiro?
Eu costumo brincar que meu primeiro disco é o segundo. No primeiro eu senti muita pressão da imprensa numa busca frenética por notícias, gente querendo fazer shows, enfim muitos interesses em volta. O público abriu espaço, gostou do disco e acabou fazendo com que todo mundo ficasse mais tranquilo. Daí eu pude fazer esse disco em paz.
Quais critérios você usou para escolher o repertório?
Para esse disco ouvi mais de 1,2 mil músicas, que recebei nos últimos dois anos durante os shows. Parei algumas semanas para ouvir as canções porque achei que o repertório ainda não estava redondo.
Foi daí que você garimpou três músicas do Rodrigo Maranhão?
O Tom Campone me apresentou ao Maranhão durante a gravação do primeiro disco. Depois de um tempo ele apareceu com algumas músicas, mas o repertório já estava fechado. Para esse álbum, me lembrei das músicas dele, que acabaram caindo como uma luva.
O que a levou a gravar ''Minha Alma'', de O Rappa?
Primeiro porque que é uma música que eu amo. Segundo porque tenho uma ligação com O Rappa muito forte. Terceiro e principal: ''Minha Alma'' possibilita uma veia politizada minha que se identifica com os problemas sociais e políticos do Brasil. Eu sentia necessidade de colocar isso pra fora, mas num primeiro disco poderia soar meio agressivo.
Você adquiriu jogo de cintura para lidar com assuntos relativos à sua mãe?
Hoje eu tenho um distanciamento necessário e saudável para entender o que as pessoas sentem. Se eu sinto a dor, se eu sinto saudades por que o outro não pode sentir? Quem sou eu pra julgar a dor e a saudade alheia? Quem sou eu para julgar o que minha mãe representou na vida dessa ou daquela pessoa? Na verdade, é bom ver que minha mãe não caiu no esquecimento mesmo depois de quase 25 anos. Mas eu não ouço Elis Regina como as pessoas imaginam que eu deveria ouvir!
Parece até uma obrigação que as pessoas te impõem, é isso?
Parece... Enfim, dói, cacete! Tenho saudade, claro. Quando eu ouço Elis eu ouço com saudade.
Que espaço você pretende conquistar na MPB?
Eu tenho um pouco de receio de entrar nessa questão porque minha trajetória é muito cobrada...Eu nunca tive a pretensão de ser a maior cantora do Brasil, a salvadora da MPB, mas tem muita gente me colocando como tal. A partir do momento que ficou claro que minha necessidade para ser feliz no mundo era cantar, para mim pouco importava se era para vender 3 mil discos, 30 mil, 300 mil ou 3 milhões de discos.(A.M.J.)
Trechos da conferência telefônica concedida por Maria Rita, da qual a Folha2 participou





