'Não queríamos ficar restritos ao circuito indie'
Vocês tiveram um primeiro álbum bem-sucedido. Como foi quebrar essa barreira e continuar a fazer sucesso no segundo?
Dave Keuning- Um segundo disco só pode ser tão bom quanto tem que ser. A gente queria que as canções tivessem esse som grandioso. A gente não se preocupou em atender às expectativas do público simplesmente. A gente queria um som encorpado e foi isso que tentamos alcançar. Considero que foi uma evolução.
Houve muita pressão por parte da gravadora?
Houve pressão mas... Quer dizer, a gente não estava preocupado, mas havia pressão porque as pessoas que te amam esperam o melhor de você e as que te odeiam sonham que você se dê mal. A gente só esperava que a nossa visão fosse aceita e, mesmo se isso não acontecesse, pelo menos teríamos a consciência tranquila de que fizemos o nosso melhor. A gente apenas esperava que o disco não fosse um fracasso. E hoje acho que posso dizer sem medo de que não foi um fracasso, não? A gente não quer ter fracassos.
Hoje vocês são uma das bandas mais bem-sucedidas do cenário musical. Vocês são headliners em festivais como Glastonbury, que é um dos mais importantes do mundo. Vocês esperavam que isso acontecesse tão cedo? Vocês se consideram mainstream ou indie?
Desde o começo a gente sempre pensou em ser uma banda maior. Não queríamos ficar restritos ao circuito indie. E assim foi. A nossa música funciona melhor quando tocada na frente de milhares de pessoas. Ela não funcionaria tão bem se estivéssemos restritos a tocar para apenas algumas centenas ou tocando num bar. Muitas bandas indie têm medo de tentar serem maiores. A gente nunca teve esse medo. A gente sempre pensou, 'vamos tentar ser grandes, mas se não acontecer tudo bem'. Algumas pessoas acham que ser popular não é muito cool, mas esse nunca foi o nosso caso.
Muitas vezes Brandon Flowers, vocalista da banda, é controverso em suas declarações. Ele criticou o disco ''American Idiot'', do Green Day, por exemplo. O senso comum é que artistas são de esquerda, mas esse não parece ser o caso com ele. Como você vê isso?
Em primeiro lugar gostaria que ele calasse a boca as vezes (risos). Acho que a maioria dos fãs não se importa muito com esse tipo de polêmica. Por outro lado as pessoas podem dar muita importância ao que ele diz. Mas acho que ele não é tão radical quanto as pessoas tendem a crer. Acho que simplesmente ele é patriota e defende o seu país da maneira que acha melhor. Eu entendo o ''American Idiot''. Não tenho orgulho do nosso presidente. Por outro lado, acho que muita gente gosta de apontar o dedo sem solucionar nada. É quase uma moda. Brandon está defendendo o seu país. Isso não quer dizer que a gente concorde com tudo o que está acontecendo.
Quais são as suas expectativas para os shows do TIM Festival?
Sinceramente não sei o que esperar porque nunca estivemos no Brasil, mas estamos muito animados. A gente quer ir para a América Latina desde o primeiro disco, mas só agora a agenda permitiu. Tenho ouvido boas coisas da platéia do Brasil, então estou animado para tirar as minhas próprias conclusões. A gente deve ter alguns dias de folga então espero ir à praia e fazer coisas bacanas. Tudo é muito novo para nós então vamos ver como tudo se apresenta, sem muitos planos.
Você conhece algo de música brasileira?
(pausa) Não. Mas as vezes vejo futebol. Serve? (risos)
(Entrevista realizada com Dave Keuning, guitarrista do The Killers, em Roskilde, Dinamarca - julho 2007)





