A Record está perdida com o sucesso de "Os Dez Mandamentos". A novela vem dando o resultado planejado, mas a emissora parece ficar inebriada e joga contra si mesma. Para esticar a novela e aproveitar a "maré boa", não são criados novas histórias e ganchos. Só assim a trama bíblica teria fôlego para continuar mais tempo no ar. No lugar disso, flashbacks e cenas desnecessárias permeiam todo o capítulo.
A abertura do Mar Vermelho, por exemplo, estava prevista para ir ao ar no dia 27 de outubro. Só que, ao longo da semana, o tema foi a enrolação. Cenas perduraram por capítulos a fio sem que nada fosse acrescentado à história. O que poderia ter afastado a audiência, no entanto, só a aproximou, talvez pela expectativa do grande acontecimento da novela. Pela primeira vez, um folhetim conseguiu bater a Globo, tanto o "Jornal Nacional" quanto "A Regra do Jogo". "Os Dez Mandamentos" marcou 23 pontos, um a mais que a principal concorrente.
As boas atuações –- fato também raro na Record -– são o que seguram o enredo esvaziado das últimas semanas. Na pele do mimado Ramsés, Sérgio Marone se pauta por afetações. O que seria "over" em uma trama atual acaba cabendo bem no faraó.
Camila Rodrigues também foi uma excelente aposta. Segura na pele da rainha Nefertari, a atriz caminha bem entre o deslumbre na vida do palácio egípcio, o medo e a lamentação de não ter seguido a vida ao lado de Moisés, interpretado por Guilherme Winter. Juliana Didone e Denise Del Vecchio são outras que cumprem bem seu papel dentro do folhetim.
Ponto para a boa direção de Alexandre Avancini, que, além de explorar os talentos já prestigiados da Record, conseguiu fazer com que atores até então desconhecidos sobressaíssem. Igor Cosso, Sidney Sampaio e Kiko Pissolato são os destaques por esse lado.
Com pouco menos de um mês para desenrolar toda a história da libertação do povo hebreu, "Os Dez Mandamentos" pode seguir por dois caminhos: se Vívian de Oliveira fizer sua trama andar, a novela tem a oportunidade de terminar como um marco, em termos de enredo e audiência. Se não, o "estica e puxa" pode fazer com que o folhetim acabe como as outras produções da emissora: desgastado.

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