Não é só palhaçada
Uma escola de circo não se resume a preparar novos profissionais para palhaçadas, malabarismo e para a mágica. O principal objetivo é desenvolver o corpo e a mente, ajudando as pessoas a se tornarem melhores. Com esta proposta, Daniel Allegretti e Bruno Raggio estão trazendo para Curitiba o conceito do circo educacional, amplamente difundido e aceito na Europa. Em março, eles irão inaugurar o CirkoLuz.
Allegretti estudou na Academy of Physical Theatre and Circus, da Inglaterra. Ele explica que muitas crianças têm hoje os ombros caídos, o olhar baixo e as mãos acostumadas a apertar teclas do computador. Quando um menino destes, que geralmente mora num pequeno apartamento, joga uma bola colorida para cima, olha para o céu e grita, ele está ampliando os seus espaços e se soltando, explica.
Esta é a função principal do curso. Mais do que ensinar a arte circense, o objetivo é estimular a psicomotricidade e a bilateralidade de cada um. Nas aulas de equilibrismo e acrobacia, aprende-se a desenvolver o cérebro de uma forma mais dinâmica, além de flexibilizar o corpo. E isto tudo é feito com a alegria e o divertimento do circo, acrescenta Raggio.
Daniel Allegretti, de cartola, em uma demonstração realizada nas ruas da cidade de AntoninaO objetivo é trabalhar a coordenação motora, o ritmo, a observação, a concentração, o lúdico, a postura, a frustração e a criatividade, através da magia milenar do circo.
Eles contam que na Espanha, por exemplo, a habilidade de arte circense já foi incluída no currículo normal das escolas. Na Suiça, as técnicas são utilizadas até mesmo nos presídios, afirma Allegretti. No Brasil, apenas Rio de Janeiro e São Paulo já possuem escolas do chamado circo novo, voltado à educação. O grupo Anônimo, ligado ao Cirque du Soleil (França), atua nas favelas do Rio de Janeiro, estimulando o desenvolvimento psicomotor das crianças.
Em Curitiba, segundo eles, o mercado circense está apenas começando. É tudo feito com muito amor e pouca técnica, de pai para filho, explica Allegretti. Em contrapartida, ele comenta que hoje existem técnicas apuradíssimas para ensinar circo, o que permite que até mesmo os adultos mais sedentários se adaptem rapidamente às atividades.
Parte da equipe que estará comandando as aulas do circo escola CirkoLuzPor isso, a Escolinha Cirkoluz terá um espaço próprio para pessoas maiores de 16 anos. Se um adulto tenta fazer malabarismo com duas bolas coloridas, por exemplo, e as derruba no chão, estará trabalhando vários valores, como frustração e superação, explica.
O circo novo tem a proposta de abrir as portas para uma maior consciência corporal. Allegretti e Raggio já puderam conferir os primeiros resultados disto durante o ano passado, quando desenvolveram um projeto piloto, atuando em escolas curitibanas, onde apresentaram oficinas e mini-cursos esporádicos.
Os bons resultados estimularam a criação de um espaço próprio, a Escolinha Cirkoluz, em parceria com o psicomotricista Daniel Silva. Após ter estudado Análise Corporal, Comunicação e Relações na França e na Espanha, e atuado por 12 anos como psicomotricista, Silva resolveu experimentar o malabarismo para melhorar o potencial de sociabilidade e o desenvolvimento psicomotor dos indivíduos.
Ele conta que, durante o projeto piloto, as aulas de malabarismo provaram que podem contribuir de maneira lúdica no processo de superação das dificuldades. Os alunos apresentaram uma sensível melhora na coordenação motora, um acréscimo na capacidade de concentração, percepção e prontidão para o movimento, além de muitos outros benefícios relativos ao desenvolvimento corporal.
A Escolinha Cirkoluz será aberta no dia 6 de fevereiro, às 10h. Durante todo este dia, haverá atividades infantis, abertas ao público. No dia 10, o espaço destinado aos adultos será inaugurado com uma apresentação gratuita de malabarismo com fogo e uma exposição de gravuras circenses.Fotos de divulgaçãoO fogo, combinado com a arte fotográfica, pode criar ilusões e belas imagensSimone Mattos





