Nanni quer filmar a vida de Tarsila
Luiz Carlos Merten Agência Estado
Ele pertence à história do cinema brasileiro. Rodolfo Nanni fez nos anos 50 O Saci, baseado na obra de Monteiro Lobato. O filme antecipou o Cinema Novo: nele trabalharam, como assistentes, Nelson Pereira dos Santos e Alex Viany. Sem filmar desde 1971, quando fez Cordélia, Cordélia, baseado na peça No Começo É Sempre Difícil, Nanni prepara-se para voltar à direção. Os quase 30 anos decorridos representam um hiato grande, mas não o assustam. Na verdade, ele nunca se afastou do cinema. Como professor titular da Faap, dá aulas de direção no curso de cinema. Nanni busca recursos para fazer Tarsila.
É um filme sobre a pintora Tarsila do Amaral. Começa nos anos 90, quando Abaporu foi vendido no célebre leilão da Christies. Por meio de flashbacks, a história recua no tempo para mostrar Tarsila menina, adolescente, seu primeiro casamento. Mas o enfoque privilegia o período de dez anos em que ela viveu em Paris, estudando pintura com Léger e fazendo amizade com intelectuais franceses como Blaise Cendrars. Nanni já tem a sua Tarsila. Convidou a atriz Bete Coelho, de Cacilda!, que leu o roteiro e se entusiasmou. Ela é incrível, resume Nanni.
Com a atriz e o roteiro, ele busca patrocínio para o projeto. A produção, já aprovada pelo Ministério da Cultura e inscrita na Lei do Audiovisual, está orçada em R$ 5 milhões. Prevê filmagens na França. Nanni espera conseguir um parceiro francês. Negocia com o produtor Guy Perol, que foi seu colega no Institut des Hauts Études Cinématographiques (IDHEC). O curioso é que Nanni foi para Paris estudar pintura - é um elo forte que ele tem com Tarsila. Logo descobriu que estava mais interessado em cinema e entrou para o IDHEC.
Embora pronto, o roteiro de Tarsila não é definitivo. Nanni está tendo a parceria da roteirista e diretora Karine Douplitzki, ligada a Régis Débray, que está reescrevendo o material. Na versão de Karine, Tarsila ganhou um subtítulo, LOeil Antrophague. O olho antropofágico de Tarsila quer ganhar as telas para ampliar o debate sobre a obra da artista e o modernismo.





