Nanicas
ReproduçãoCakeCanções largadonas
Cake é cool. Oriunda da Califórnia, a banda debuta no mercado fonográfico extraindo frescor de fontes musicais supostamente exauridas. Intitulado Fashion Nugget(PolyGram), seu disco de estréia reúne 14 faixas despojadas que dosam na medida arranjos acústicos e elétricos. Salvo engano, nenhuma outra banda de rock atual apresenta um trompete tão bem colocado. Com exceção de duas incursões pelo hip hop, o repertório do álbum fixa-se no folk rock largadão, cuja qualidade sobe às alturas em faixas como Friend Is A Four Letter Word e Its Coming Down. Como curiosidade, o trabalho inclui a regravação de I Will Survive, hit dançante dos anos 70 na voz de Gloria Gaynor. A cover chegou ao topo da parada de sucessos nos Estados Unidos.
Tecno rock
Se já era duvidosa, a tarja tecno aplicada ao grupo inglês Prodigy perdeu completamente o sentido agora com o lançamento do álbum The Fat of The Land(Paradoxx). Sem o bumbão reto que costuma caracterizar o gênero, o disco colide sonoridades e não se limita aos recursos da eletrônica. Comentá-lo exige o empréstimo de expressões contundentes e de forte impacto como bombardeio, explosivo ou inflamável. Algumas faixas lembram muito os Chemical Brothers, outro expoente das pistas e com quem dividem a preferência do público rock. A demência de Breathe, a indie pop Naraya (com vocais de Crispian Mills, do kula Shaker) e o rap racha-assoalhos Diesel Power puxam a fila dos potenciais hits de festas. Impossível passar batido.
Fast-food
Incrível. A façanha de reunir tantas faixas redondinhas, dotadas de refrões-radiofônicos e arranjos popentos, merece uma conferida. Como se sabe, a imensa maioria de artistas que surge do nada e explode nas paradas com uma ou duas canções, não consegue espalhar a mesma potencialidade comercial ao longo de um disco inteiro. No caso do grupo escocês Texas, a proeza foi registrada em seu quarto álbum White On Blonde(PolyGram), que acaba de chegar às lojas brasileiras. Mas, calma aí. Quem faz o tipo não-ouço-musiquinhas-babas, pode sair correndo. O disco é um prodígio fast-food, coalhado de canções bonitinhas para serem consumidas na primeira ou, no máximo, na segunda audição. Ah, mas faça como todo mundo: finja-se de difícil e ouça às escondidas.Cavando a cova
O mundo pop é voraz com seus artistas. A necessidade de novidades no mercado impõe a constante alternância de nomes na mídia. Quem é hypado(badalado) hoje, que trate de aproveitar, porque amanhã já estará esquecido e esculhambado. Vale lembrar que os próprios artistas cavam sua própria cova patinando no comodismo estético. Ian Astbury, por exemplo, experimentou dias de glória na segunda metade dos anos 80 quando cantava na banda Cult. Entretanto, ouví-lo hoje à frente do Holly Barbarians sugere apenas a reiteração desse fenômeno. O último álbum do grupo, batizado de Cream (Paradoxx), escorrega em hard-rockices sem tempero cujo auge manifesta-se na intragável faixa-título.
Guitarras cansadas
O que a crítica pop costuma chamar de rock mainstrean, ou seja, a música de verniz comercialóide que se apóia em fórmulas gastas e estabelecidas no mercado, espalha-se com desenvoltura pelas faixas de Disciplined Breakdown (Continental), terceiro álbum da banda Collective Soul. Oriundo da Geórgia (EUA), o quinteto cisca o heavy metal tradicional disparando riffs e acordes melódicos de guitarras cansadas. Bem, é disso que o povo gosta, como diz o locutor esportivo. Tanto é que, desde a estréia da banda em 94, várias de suas canções estacionaram durante semanas nos primeiros postos da Billboard. Uma palhinha do trabalho dos caras pode ser pescada nas rádios locais. É a faixa Precious Declaration, o carro-chefe do novo álbum.
Nelson Sato





