Nana fala sobre a mídia e a biografia do pai
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sexta-feira, 25 de outubro de 2002
Antônio Mariano Júnior<br> Reportagem Local 
Você foi uma das primeiras a ler os originais da biografia que sua filha, Stella, fez de Dorival Caymmi. Deve ter sido emocionante, não?
Não tenha dúvida porque sabia que ia mexer com a família toda.
Ao ponto de chorar?
Não cheguei a essa comoção porque a Stella me enchia muito o saco. Ela me perguntava muito. Eu dizia: ''não quero sair com você para ser interrogada, para dar entrevista''. É terrível sair com jornalista (rindo).
Obrigado pela parte que me toca!
(bem-humorada) Mas é verdade. Eu jamais teria como marido um jornalista porque vocês vêem notícia em tudo. Deus me livre!!
Mas a mídia ajudou a te projetar...
Eu sei, mas não estou discutindo isso. Hoje em dia a gente não tem fôlego mais. Acho que até os jornalistas estão cansados porque a notícia está vindo muito rápida. Hoje em dia você não chega a um bar para contar uma novidade, porque um diz: ''Ah, eu peguei na Internet'' ou ''Ah, eu recebi um fax'' ou ''Ah, me contaram por telefone''. Acaba ficando enfadonho porque todo mundo já sabe
O mundo está muito acelarado para o seu gosto?
Ah está! Está acelerado até para o gosto do próprio mundo.
Vai haver lançamento do disco?
Em show ainda não porque mamãe está doente e eu não quero mexer nisso. Eu própria vinha com problemas.
Alguma coisa séria?
Não, não! É controle meu mesmo. É a menopausa que ataca, essas coisas todas. É a velhice, querido!
A velhice lhe assusta?
Não, mas a gente associa a velhice à morte. Meu pai está com boa saúde, minha mãe não. É muito complicada, na minha cabeça, a perda. Então não aceito fazer muitos trabalhos para ficar em volta da minha mãe. Ela vai fazer um cateterismo. (...) Então não estou com muita alegria para fazer o lançamento do disco. Vou esperar as eleições e conversar com a gravadora para ver como é que a gente faz em relação a isso.
Você acatou alguma sugestão na selação do repertório?
Eu detesto intromissão. Mas o José Milton me pediu e eu fiz muito contrariada ''Você Não Sabe Amar''. Aí, veio o Dori e eu muito p... da vida cedi e fiz ''E Eu Sem Maria'', que eu já havia gravado. Mas o v... queria fazer porque tinha um arranjo diferente (rindo).
Ah, mas você já havia gravado também ''Não Tem Solução''....
(debochada) Ah, querido, foi a gravadora que queria um sucesso como se tudo cantado ali não fosse sucesso de Dorival Caymmi. É que o sucesso de meu pai é uma coisa calma. A gente não quer estouro, aliás essa palavra não existe na minha casa. A idéia de sucesso para ele é a tranquilidade, é não ter ruído, é canto de passarinho...É ter o dinheiro normal da vida, andar com short ssurrado e trocar a camisa de vez em quando. Pronto: é isso que ele entende por fazer sucesso.


