Rio, 19 (AE) - A cantora Nana Caymmi está voltando a sua juventude, ou melhor às músicas que ouviu nessa época, quando foi namoradinha de Daniel Filho, pouco antes de casar-se com um médico venezuelano, pai de seus três filhos. Eram boleros clássicos, 14 dos quais ela gravou para o disco "Sangre de Mi Alma", verso tomado emprestado de Augustín Lara para o título.
"Eu queria manter o nível de vendas de meus dois últimos discos (100 mil cópias), Suave Veneno e Resposta ao Tempo", contou ela, ontem, na entrevista coletiva para falar do disco. "Apresentei quatro projetos e a gravadora optou pelos boleros, uma continuação do disco lançado há seis anos, Bolero".
Muito bem-humorada e vestindo vermelho da cabeça aos pés
Nana contou que o mais trabalhoso, doloroso mesmo, foi restringir-se às 14 músicas que entraram no CD. "Toda música, brasileira ou não, da minha adolescência, de quando comecei a me descobrir como mulher é bolero e havia material para pelo menos outro disco", lembrou Nana, que chamou o irmão Dori Caymmi e Cristóvão Bastos para fazer os arranjos para as muitas cordas que acompanham a sua voz. "Pela primeira vez, ouvi palpite de todo mundo para escolher o repertório porque todos os amigos se lembravam de um bolero que não podia ficar de fora". Dos que entraram, há clássicos que Nana não teve coragem de gravar no disco anterior. "Eu me sentia culpada de não cantar música brasileira e, por isso, exigi que no disco anterior tivesse composições novas em português", salientou. "Agora não estou mais preocupada e só cantei o que quis em espanhol, que foi minha língua nos primeiros anos de juventude".
"Amor de Mis Amores", por exemplo, ela ouviu quando estava grávida da primeira filha, Stella, e enfrentava a barra de ser mãe longe de casa, numa terra estrangeira. "Te Quiero Dijiste" (mais conhecido como Bonequita Linda) veio dos antigos musicais da Metro e "La Violetera" lembra a infância, quando as tias a levavam para assistir aos filmes de Sarita Montiel.
Mas o bolero preferido de Nana é "Mi Último Fracasso", de Alfredo Gil, nome que ela queria dar ao disco. "Meu produtor
o José Milton, teve uma síncope e quase incendiou o estúdio quando disse que queria dar esse título ao disco", brincou ela. O disco vira show em maio, dias 12 e 13 no Credicard Hall, em São Paulo, e 25 e 25, no ATL Hall (antigo Metropolitan), no Rio.
Nana ainda está estudando o repertório, cerca de 25 músicas, que cantará acompanhada de orquestra de 30 músicos. Ela acha difícil viajar mais com tanta gente, mas está orgulhosíssima porque vai aparecer para todo o País, em rede nacional, num clipe da TV Globo, em comemoração aos 500 anos.
"Gravamos a música de Parabéns pra Você com a letra do Hino Nacional e eles me enfeitaram toda para aparecer na tela", lembra ela, que está revoltada com os protestos armados por índios e outros grupos no dia 22. "É falta de patriotismo porque eles têm o ano inteiro para reclamar e deviam reservar esse dia só para as comemorações".

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