Silvana Leão
De Londrina
Usuários do sistema DirecTV (TV via satélite) e amantes da boa música receberão um belo presente em setembro. A última quarta-feira do mês, dia 29, vai marcar a estréia do Projeto Som Direto – uma série de shows apresentada pelo pianista César Camargo Mariano que vai reunir a nata da MPB, jazz, blues e soul do Brasil e exterior.
As gravações começaram no começo deste mês, em São Paulo, no Bourbon Street Music Club, na Moema. O nome escolhido para o show de estréia foi o de Nana Caymmi, que comemora um dos melhores momentos da carreira. Ela subiu ao palco contagiando de cara a platéia formada principalmente por jornalistas e clientes convidados. O pai, Dorival Caymmi, foi o primeiro homenageado da noite. Nana cantou ‘‘Maricotinha’’ combinando a singeleza da letra com sua voz doce.
O que se seguiu foi um espetáculo com belo repertório romântico (e tinha como ser diferente em se tratando dela?), mesclando a maioria das músicas do último CD, ‘‘Resposta ao Tempo’’, com clássicos de arrancar o fôlego, como ‘‘Carinhoso’’ (Pixinguinha-João de Barro’’) e ‘‘Eu Sei Que Vou Te Amar’’ (Tom Jobim-Vinícius de Moraes), que Nana cantou lindamente. Sem esconder a emoção na voz e as lágrimas que brotavam, ela chegou a se autocensurar: ‘‘Eu mesma escolho o repertório e depois saio morta.’’
Antes de entoar os primeiros acordes de mais uma pérola (‘‘Contrato de Separação’’, de Dominguinhos e Anastácia), Nana respirou fundo e comentou: ‘‘É agora que eu me acabo.’’ Mas como ela mesma diria mais tarde, ‘‘neste país, quem não tem bunda, canta’’.
Não foi a única alfinetada da noite à falta de qualidade da atual música popular no Brasil. ‘‘Eu espero também fazer um milhão de cópias um dia, mas não cantando esta pobreza que está aí... Eu sempre vou contra a onda, mas tem hora que é desgastante ser tecla única.’’
Nana fez o show ao lado de João Lira no violão; Dom Chacal na percussão; Ricardo Pontes, no sax/flauta; Chiquinho Chagas no teclado; Ricardo Costa na bateria; Jamil Jones no Baixo e Itamar Acieli ao piano. Ao final do show de duas horas, ela chamou para o palco do Bourbon Street o amigo César Camargo Mariano, com quem arrancou mais alguns suspiros.
O pianista se encarregou de fazer uma surpresa para a amiga, e lá pelas tantas pediu para que ela se sentasse e só ouvisse. Ele então tocou ‘‘Atrás da Porta’’ (Francis Hime e Chico Buarque), talvez homenageando também a ex-mulher Elis Regina. Sem grandes produções, o espetáculo de Nana e César Camargo Mariano agradou e deve render um bom programa aos que assinam o canal de TV via satélite.
Na mesma semana, a equipe da DirecTV gravou o encontro entre Ivan Lins e o pianista e compositor francês Michel Legrand, um dos primeiros europeus a trabalhar com jazzistas lendários, como Dizzy Gillespie, Miles Davis, Stan Getz e Bill Evans. Segundo a direção da empresa, que acaba de ser adquirida pela americana Galaxy Latin America, em negócio envolvendo vários milhões de dólares, o objetivo do Projeto Som Direto é alcançar uma faixa de público acima dos 35 anos com gosto musical refinado. ‘‘Queremos valorizar a música popular brasileira, além de divulgá-la em toda a América Latina’’, afirmou Paulo Octávio de Almeida, diretor de marketing da DirecTV.
A jornalista Silvana Leão viajou a São Paulo a convite da DirecTV

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