Nada para se fazer
PUBLICAÇÃO
sábado, 04 de maio de 2002
Nelson Sato<br>Reportagem Local 
Garfield, aquele que odeia segundas-feiras, aprovaria a idéia. A dúvida é se os transeuntes também levantarão o polegar para cima ao topar com o hapenning O Dia do Nada, que uma trupe de artistas e anônimos promove amanhã à tarde na Praça da Bandeira, no Centro de Londrina.
Todos estão convocados a participar levando rede, almofada e banquinho e qualquer coisa para se encostar. Queremos trocar idéias e refletir filosoficamente, politicamente e artisticamente sobre o nada, o ócio e a preguiça diz o artista plástico, colunista da Folha de Londrina e idealizador do evento Rubens Pillegi Sá.
A intervenção será realizada das 12 às 18 horas. Estão previstas performances e experiências variadas com a presença da professora de Música da UEL Fátima Carneiro; dos grupos Retalho da Cultura Popular e Berimbau da Cidadania; e dos artistas visuais Will Delgado, Valdemir Pereira, Fernando Martinez e Leonardo Benatto.
Pillegi lembra que o tema do happening já recebeu diversas nuances na história das idéias, desde o zen budismo até o sociólogo italiano Domenico di Masi passando por Paul Lafargue com seu panfleto O Direito à Preguiça e pelos arrazoados existencialistas dos filósofos Jean Paul Sartre, Heidegger e Merleau-Ponty.
Em seu artigo semanal na Folha, na última quarta-feira, ele escreveu que a sociedade especializada, fragmentada, separou o ócio do trabalho criando um abismo entre a plenitude e a obrigação de cada pessoa na execução de seus compromissos do dia-a-dia. Trabalha-se mais por obrigação do que por prazer anotou.
A proposta da intervenção de amanhã, segundo ele, segue a mesma toada ambicionando transformar toda primeira segunda-feira do mês de Maio (numa aproximação à data em que é celebrada o Dia do Trabalho) num dia do nada. Minha utopia é que neste dia as pessoas se rebelem e deixem de voltar à empresa após sair para o almoço ocupando o resto do tempo com atividades voltadas ao lazer, ao ócio e à prática da vagabundagem. A utopia é que essa ousadia não seja punida, mas tolerada diz. A Praça da Bandeira fica ao lado da Catedral.


