Nacionalização estratégica
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quinta-feira, 27 de junho de 2002
Renata Petrocelli<BR>TV Press 
Ainda não é desta vez que Mickey e sua turma vão fixar residência num parque temático no Brasil, mas a Walt Disney Company está apostando algumas fichas por aqui. Os esforços da empresa se concentram no Disney Channel, canal por assinatura distribuído desde o ano passado pelas operadoras DirecTV e TVA. Na segunda-feira, estréia o quinto programa em versão exclusiva para o Brasil, o Playhouse Disney os outros são Zapping Zone, Disney Planet, Art Attack e Disney Cruj. Temos intenção de incrementar cada vez mais as produções locais, porque elas definem a identidade do canal no país, explica Herbert Greco, gerente de marketing da Disney no Brasil. O programa, exibido de segunda a sexta-feira das 7 às 11 horas e nos finais de semana das 7 às 10 horas, é dedicado a crianças em idade pré-escolar.
O formato que estréia no Brasil não é, no entanto, original. Playhouse é uma marca lançada mundialmente pela empresa. Nos Estados Unidos, originou um programa na Rádio Disney e um show no parque temático Disney World. O diretor geral da Disney no Brasil, Marcos Rosset, acredita que ela possa render frutos também por aqui. Possivelmente a marca vai ser trabalhada em produtos de licenciamento, adianta Rosset, lembrando que a Rádio Disney, que já existe na Argentina, ainda não é prioridade no país.
A versão brasileira de Playhouse Disney foi dirigida por Eliana Fonseca. Conhecida do público infantil por sua atuação no Castelo Rá-Tim-Bum, da TV Cultura, Eliana acredita que o programa tenha ficado com uma cara bem local. É claro que existe um formato, mas a gente trabalhou com certa liberdade de criação, defende a diretora. Ela e os apresentadores Estela Ribeiro e Paulo Ivo passaram 40 dias na Argentina, onde foram concentradas as gravações em estúdio para o México e a América Latina.
As gravações fora do país geraram contratempos. Eliana lembra que uma cena em que Estela assovia para chamar as crianças foi quase suprimida pelo editor argentino, que a considerou de extremo mau-gosto. Eu disse a ele que pode ser de mau-gosto, mas que, no Brasil, mulher assovia, diverte-se, assegurando que foi tudo resolvido no maior bom humor. Além disso, as crianças brasileiras que aparecem nas cenas de estúdio moram na Argentina, o que se reflete em diferenças de costumes e comportamento, já que crescem em meio a brincadeiras, ambiente e língua diferentes. Toda criança tem um denominador comum, não importa onde viva, defende a diretora.
O programa parte da idéia de estimular o desenvolvimento criativo de crianças de dois a cinco anos de idade. Estela e Paulo Ivo, o Pivo, comandam uma casa onde a criançada desenha, dá suas explicações para fenômenos da natureza e aprende a construir objetos. Estela, que tem 22 anos e já deu aulas de balé para crianças, acredita que o mérito do programa está em ensinar brincando. As crianças aprendem, sem perceber, valores sobre família e a importância de cuidar dos animais e da natureza, derrama-se a apresentadora, feliz com a oportunidade de trabalhar para a Disney.
Cada programa parte de um eixo temático em torno do qual giram as brincadeiras, atividades e os clipes musicais, gravados em externas no Brasil. Paulo Ivo, que tem 44 anos e nunca trabalhou com crianças, destaca o clima de diversão em que foram feitos os programas. As crianças são um show. E é preciso correr atrás, porque elas são muito carismáticas, destaca o apresentador.
Ao contrário de Zapping Zone e Disney Cruj, programas da Disney gravados nos estúdios do SBT e exibidos aos sábados pela emissora, Playhouse Disney não vai ser veiculado na tevê aberta, o que restringe seu alcance. Além disso, foram gravados apenas 40 programas e não há previsão de novos episódios antes do ano que vem. O que, a princípio, pode parecer uma falha, é defendido como estratégia pelos envolvidos no projeto. A repetição não é problema num programa infantil. A Disney tem uma pesquisa que mostra que cada criança assiste a um vídeo, em média, 60 vezes, justifica Eliana.


