Na vida como no romance
Estelio Feldman
Quando o primeiro livro de Barbara Delinsky apareceu na redação, há alguns anos, causou curiosidade. Era Juntos na Solidão, um título que dizia pouco. Confesso que o que me atraiu primeiro foi a capa, bonita, com o nome da autora em grande destaque. Mergulhei nele e me encantei com a forma como ela narrava uma história envolvente. No fim, fiz um comentário em que não escondi a admiração e até a satisfação de travar contato com uma escritora de grande competência. A crítica teve um resultado inesperado: uma leitora ligou para contar que tinha o outro livro de Barbara Delinsky, Para Minhas Filhas, e fez uma gentileza: deu-o de presente a mim. Gostei tanto deste segundo livro que, também por ter sido um presente, é um dos poucos que não passei adiante, fazendo parte de minha reduzida (mas selecionada) biblioteca.
Assim, quando outro livro da autora, o terceiro a ser publicado no Brasil, chegou à redação, Sombras de Grace, nem tive dúvidas: apanhei-o logo. A temática é diferente dos outros dois, mas há um foco permanente: Barbara conta histórias de mulheres e, com rara sensibilidade, mostra a alma feminina.
Sombras de Grace é a história de 3 mulheres, Grace Dorian, a filha dela Francine e a filha da filha, Sophie. Há ainda uma quarta personagem, Robin. Mas não é um livro feminista. É um romance muito bem encadeado, abordando uma questão das mais importantes. Grace Dorian é uma mulher que se fez famosa através de uma coluna jornalística. De repente, aos 61 anos, tem um diagnóstico terrível: é portadora do Mal de Alzheimer, doença que tem atingido um elevado número de pessoas e que as destrói no que há de mais importante, o intelecto.
A convivência de Grace, de sua filha e de sua neta com a doença, as mudanças que disso decorrem, os profundos conflitos existenciais, tudo isto é narrado de forma simples, objetiva e direta. Há uma história de amor, abnegação, respeito e sofrimento. Como o Mal de Alzheimer atinge tanto mulheres quanto homens, o tema interessa a todos. E do modo como a autora encaminha a história, é possível vivenciá-la em suas nuances e partilhar dos sentimentos que fluem das páginas. Outro grande romance de Barbara Delinsky, que apenas confirma o que foi percebido nos livros anteriores.
Em tempo: já recebi o quarto livro da autora, como os outros editado no País pela Bertrand Brasil. É igualmente bom, mas a análise mais ampla fica para depois.





