Na vibração da inquietude
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 22 de junho de 2018
Marian Trigueiros<br>Reportagem Local 

Trinta anos de carreira em Londrina e 60 anos de idade foram números simbólicos que o artista plástico Claudio da Costa decidiu celebrar. "Olhei para trás e vi que havia muito trabalho realizado para uma antologia de pinturas e também havia muita vida vivida. Esse projeto estava sendo gestado há dois anos e, agora, nasceu", conta.
Neste sábado (23), o artista lança o livro inédito "Claudio da Costa 30 anos de Pintura (1987-2017)", que reúne parte de seus trabalhos, às 19h, na Livraria da Vila (Shopping Aurora). Trata-se de um registro de 117 telas selecionadas especialmente para a publicação e que sintetizam sua produção marcada pela gestualidade, vigor e volumes de cores vibrantes. O livro é acompanhado de textos que buscam compreender a estética do pintor e sua trajetória de vida. A publicação possui ainda duas páginas com Realidade Aumentada Brasil, um aplicativo que permite interação virtual do leitor com a obra.
Nascido em São Paulo, o artista plástico mudou-se para Londrina em 1988, pouco depois de ter sido premiado no I salão de Arte Contemporânea no ano anterior. De lá para cá, o design, a publicidade e o neoexpressionismo fizeram parte da trajetória das composições e da expressão em seus trabalhos, grande parte realizados aqui. "Algumas pessoas conhecem só parte da minha obra. Neste livro, mostro um pouco de tudo o que fiz. Ao longo das páginas, também é possível perceber as várias fases do meu trabalho, reflexo direto do estilo de vida de cada época", destaca ele, estimando ter produzido mais de 500 telas, muitas delas em posse de colecionadores, mas sem informações de paradeiro.
O livro é dividido em quatro seções que abrangem, principalmente, sua pintura em tela, mas também em caixas de papelão, abstrações sobre moradas londrinenses e pinturas digitais do início dos anos 1990, quando produziu cartazes para o FILO (Festival Internacional de Londrina).
Dentre essas épocas, ele lembra o período de boemia, álcool e desregramento, no final da década de 1980, quando havia chegado à cidade. "De certa forma, tudo isso acabava sendo transferido para a obra. Muitas telas mostram as cores que trabalhava, o tipo de traço, a inquietação, a explosão na execução. Eu era uma espécie de esponja que absorvia tudo", lembra, acrescentando que outros fatores, como uma simples notícia de jornal, já era motivo para influenciar uma produção obsessiva.
"No início da carreira, pintava mais objetos e figuras. Mais recentemente, as flores e paisagens tornaram-se presentes. As telas, porém, não têm um conceito próprio. O conceito está em mim, na maneira como expresso os sentimentos." O livro traz, portanto, a oportunidade do público conhecer com mais intimidade a obra do artista e sua vida que o dramaturgo Maurício Arruda Mendonça intitulou como "jogo lascivo" no texto de abertura "para chegar a um corpo de obra que demonstra uma evolução criativa consistente".

INTERRUPÇÃO
No livro, é possível perceber inclusive um dos momentos em que não produziu nada, uma verdadeira lacuna. O que dava vazão à sua criação teve de ser paralisado e interrompido por muito tempo. "Era uma necessidade de cura, recomendado pelo médico. Era preciso haver esse distanciamento abrupto da minha produção", revela. Foi um hiato de, pelo menos, 17 anos. No período de afastamento, se alimentou de outras artes, sobretudo a literatura.
"Lia muito de tudo, de poesia a mitologia. Recuperei a verve da escrita. Retomei os estudos e também fui exercer minha profissão de publicitário. Depois, fui lecionar em uma universidade. Minha relação com a pintura ficou restrita ao consumo de observação", lembra Costa. A retomada aconteceu em 2011, com um autorretrato, momento em que ele considerou estar em "outra vibração". Foram 70 obras realizadas somente naquele ano. "Apesar da minha agitação, consigo praticar o distanciamento com a obra."

Esse distanciamento ao qual se refere diz respeito ao processo de criar, executar, e sua postura diante disso. "Antes eu pensava e planejava tudo e, quando ia para tela, fazia em cinco minutos. Ainda pinto vorazmente. Mas agora, sou capaz de olhar para a tela, começar, parar e voltar para resolver a obra. Esse movimento de me retirar antes de terminar é algo que venho praticando. Mais do que nunca, produzir, para mim, continua sendo vital. Porém, em outra frequência, ainda que carregada de fortes sentimentos."
Desde então, passou a catalogar e registrar toda sua obra de maneira organizada. "Isso faz parte dessa nova vibração. Hoje, tenho dados de todas as pessoas que possuem obras minhas." Após o lançamento em Londrina, o artista segue para Campinas (SP), com exposição de 23 telas novas e antigas, além do lançamento do livro comemorativo.

Serviço:
Lançamento do livro "Claudio da Costa 30 anos de Pintura (1987-2017)"
Quando: Sábado (23), às 19h
Onde: Livraria da Vila - Shopping Aurora (av. Ayrton Senna da Silva, 400)
Quanto: Gratuito
Claudio da Costa 30 anos de Pintura (1987-2017)
Autor: Claudio da Costa
Editora: Kan (128 págs.)
Preço: R$ 80,00


