NA TV - De frente com a fera
PUBLICAÇÃO
sábado, 23 de agosto de 2003
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
A crítica teatral carioca Barbara Heliodora não é de dar muito as caras na televisão. Mas uma de suas poucas aparições entrou para a galeria das grandes saias-justas já exibidas à frente das câmeras. Foi há uns dois ou três anos, quando ela foi convidada para ser sabatinada no programa ''Roda Viva'', da TV Cultura.
O problema é que um de seus entrevistadores era o dramaturgo José Celso Martinez Corrêa, decano do Grupo Oficina, que só faltou avançar sobre o pescoço da mulher após disparar-lhe um rosário de impropérios. Barbara ficou calada enquanto o seu desafeto babava de rancor para o desconforto dos demais participantes e perplexidade dos telespectadores.
Hoje à noite, ela volta à telinha como convidada do programa ''Marília Gabriela Entrevista'', que vai ao ar às 22 horas pelo canal pago GNT. Na conversa, a figura da crítica de teatro mais temida da imprensa carioca e talvez do Brasil é suplantada pela imagem de uma senhora amorosa devotada aos filhos e netos.
Barbara escreve regularmente no jornal O Globo. É considerada a maior autoridade em Shakespeare no país. Do bardo inglês, já traduziu 20 peças, além de ter publicado livros de ensaios sobre sua obra. Às véspera de completar 80 anos de idade (o aniversário é no próximo dia 29), ela passa boa parte do programa falando de temas amenos como a infância, a herança cultural recebida em casa (sua mãe era poeta e seu pai historiador), a convivência com a família e a forma como encara a idade.
Quando entra na seara em que é especialista, faz afirmações como ''Dói criticar os amigos, mas eu tenho consciência da minha função'' ou ''Se o teatro comercial é mais digestivo, é melhor que não seja indigesto''. Estimulada por Marília Gabriela, ela comenta os vários tipos de teatro, a importância do besteirol e a proliferação de monólogos que em sua opinião estariam sendo encenados em consequência da conjuntura econômica desfavorável.
Lamenta ainda a repetição de repertório e um exagero de baixarias no teatro comercial. Aborda também assuntos como internet, prostituição masculina, religião, lazer e sua experiência como diretora de teatro. O programa será reprisado na terça-feira às 21h30, na quarta às 10 e 16 horas e no sábado às 15 horas.


