A TV Cultura exibe hoje, à 00h15, o documentário ''Hiroshima Os Dez Segundos Fatais''. O programa revela o que ocorreu imediatamente após a explosão da bomba atômica na cidade japonesa, no dia 6 de agosto de 1945, quando mais de 200 mil pessoas morreram queimadas, esmagadas ou pulverizadas pela radiação.
O filme foi produzido pela NHK International, com direitos de exibição cedidos pela Fundação Japão. Reúne depoimentos, fotos e simulações da devastação. É um dos muitos registros visuais produzidos sobre tragédia em mais de meio século, mas diferencia-se por concentrar-se no curto período de tempo posterior ao momento em que o avião B-29 (apelidado de ''Enola Gay'') abriu as comportas para deixar cair um tipo de armamento até então jamais utilizado em combate.
A bomba, chamada de ''Little Boy (Menininho)'', explodiu a uma altura de 580 metros. Baseando-se em dados dos testes nucleares americanos, o documentário mostra que Hiroshima foi destruída em dez segundos. Para sua realização, os diretores Hiroshi Sawada e Eiji Murata contaram com a colaboração de cientistas do Japão e dos Estados Unidos, que estudaram a capacidade de destruição das armas nucleares em seus campos respectivos.
Recorreram também ao banco de dados, que traz descrições de aproximadamente 90 mil testemunhas. No livro ''Hiroshima'', lançado recentemente no Brasil pela editora Cia das Letras, há descrições do pânico que tomou conta da população após a explosão. Segundo a narrativa de John Hershey, as pessoas não sabiam que arma havia sido usada. Vagando sem socorro, já que quase todos os médicos estavam mortos, inventavan ''teorias'' como a de que um misterioso ''pó magnético'' fora utilizado contra a rede elétrica.
A devastação alcançou um raio de uma milha e meia de onde caiu a bomba. Pessoas foram pulverizadas instantaneamente, estruturas de metal derreteram, prédios desapareceram no ar. As montanhas que circundam Hiroshima seguraram o vento gerado pela força do ''Little Boy,'' e o retransmitiram mais uma vez à cidade, atingindo-a com uma segunda onda de morte e destruição.
Calcula-se que mais de 140.000 pessoas morreram em Hiroshima até o fim do ano 1945. Muitas pessoas morreram nos primeiros dias. Outras agonizaram por mais tempo até falecerem. Ainda hoje muitos carregam na pele, nos órgãos internos e nos genes a herança da bomba.

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