Na trilha dos dekasseguis
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terça-feira, 02 de julho de 2002
Ubiratan Brasil<br> Agência Estado 
O Japão continua na mira dos brasileiros - no início de agosto, quando acalmar a euforia da Copa do Mundo, a cineasta Tizuka Yamasaki viaja para Kobe, cidade japonesa onde a seleção pentacampeã de Luiz Felipe Scolari venceu a Bélgica pelas oitavas-de-final. Lá, ela não vai tratar de futebol, mas de um assunto que acalenta há mais de 20 anos: a continuação de ''Gaijin, Os Caminhos da Liberdade'', filme que marcou sua estréia na direção e que a consagrou entre público e crítica.
''Gaijin 2'', uma produção orçada em R$ 8 milhões, começou a ser filmado em março, em uma cidade cenográfica montada em Londrina, no Paraná. ''Rodamos lá algumas cenas que se passam no Japão, mas faltam algumas que darão mais credibilidade à história'', comenta Tizuka, que filmará poucas imagens em Kobe e em outras cidades japonesas como Fukuoka, um material que corresponde a apenas 5% do roteiro. ''Registraremos locais que identificam o Japão.''
E a produção foi possibilitada graças aos esforços de Kyoko Tsukamoto, atriz de ''Gaijin'', que se tornou empresária e propôs a Tizuka a realização da continuação. ''Isso aconteceu em 1996, quando fui a Tóquio a convite da Kyoko e fiquei entusiasmada com a comunidade brasileira que vive lá'', conta a cineasta, que passou por uma série de percalços para realizar a produção.
Se ''Gaijin'', que, em japonês, significa estrangeiro, era um retrato da imigração japonesa, que se iniciou em 1908, com a chegada ao porto de Santos do navio Kassato Maru, trazendo imigrantes para trabalhar nas lavouras, ''Gaijin 2'' pretende ser um painel do universo atual dos descendentes desses imigrantes, que hoje estão perfeitamente integrados à sociedade brasileira. No novo filme, que vai retratar quatro gerações, Kyoko Tsukamoto retoma a personagem Titoe, que no primeiro era a imigrante recém-casada, que chegara ao Brasil com apenas 16 anos. Agora, ela está adulta. Mas o foco da história são seus netos. A família vivia bem até que, no início dos anos 90, o governo Fernando Collor confiscou a economia de todos, deixando a família praticamente na miséria. A situação obriga Gabriel, o marido de sua neta Maria, a embarcar para o Japão com o objetivo de tentar a sorte.
O problema é que os meses passam e ele não manda mais notícias. Desesperada, Maria resolve viajar com os dois filhos. Em meio a diferenças culturais e preconceito, ela descobre o lado bom da integração. Enquanto procura o marido, consegue alguma estabilidade no país.


