A primeira boa notícia ainda não está em exibição, mas quase. A Columbia promete para a próxima semana o lançamento, no Paraná, de ‘‘O Auto da Compadecida’’, a bem sucedida minissérie global condensada num longa-metragem já em exibição no eixo Rio-São Paulo há uma semana, com surpreendente adesão de público. A estréia no circuito paranaense está prevista para sexta-feira, mas em Londrina o filme chega em sessão especial já na quarta através do projeto ‘‘Sessão Brasil’’, que promete ainda a presença do diretor Guel Arraes e de um dos atores principais, entre Matheus e Selton Mello, para um debate com o publico. E a segunda boa nova é o relançamento, somente em Curitiba, de ‘‘Rocco e Seus Irmãos’’ (leia matéria nesta página), um cult a toda prova. Bem mais que isso, acima de rotulações ligeiras, o clássico de Luchino Visconti é para ver e rever sempre, agora em cópia restaurada e integral.
Enquanto isso o mercado se agita, entre filmes já cumprindo morna carreira nas salas e uma ou outra estréia disputando, sem muito empenho, a preferência de um público que se despede do inverno e começa a buscar espaços abertos. Mas para alegria da mocidade, um filmezinho surge a partir de hoje em lançamento nacional para incrementar o embalo teen: ‘‘Show Bar’’ (veja a programação de cinema na página 4). Quem frequenta cinema com assiduidade deve ter visto o trailer de ‘‘Coyote Ugly’’ nas últimas semanas e sabe do que se trata: garotas dançando num bar, que aliás empresta ao filme o título original. Garotas em apertadas calças e botas de couro, ao som de INXS. Garotas agitando os cabelos longos diante de uma platéia de homens babões. Parece uma cena engraçada e de certa forma fazendo lembrar o estilo transgressivo do final dos anos 50. Hoje, esta imagem é mais ridícula do que propriamente rebelde, mas ainda assim o marketing do filme parece que trabalhou a idéia do tema feminista.
‘‘Show Bar’’ reconta pela enésima vez a história da garota inocente que sai da suburbia New Jersey em busca do sonho. Em Nova York, Violet (Piper Perabo) quer ser compositora, e acaba garçonete dançando num bar sempre majoritariamente repleto. De homens, claro. O filme, produzido pelo notório blockbuster Jerry Bruckheimer e dirigido pelo estreante David McNally, foi decalcado em cima de modelos anteriormente provados e atestados. O principal, obviamente, é o hit ‘‘Flashdance’’, realizado no início dos anos 80, e que trazia como novidade a combinação de romance à moda antiga com picardias feministas, embalada em ritmo quente e sensualidade à flor da pele em formato pré-MTV. ‘‘Show Bar’’ assume essa missão espinhosa de saturado ‘‘déja vu’’, se assume inclusive como um mau filme. No entanto, e curiosamente, acaba se transformando não num daqueles fiascos intragáveis que deixam o espectador de astral no calcanhar, mas numa peça de romântica fantasia juvenil. Tolerável até, se o nível de exigência teen não for lá muito crítico - e sabemos quais são os limites. Nomes curiosos no elenco - Piper Perabo, Maria Bello, Izabella Miko, Tyra Banks, Del Pentecost, Bridget Moynahan - escondem caras bonitas, corpos bem feitos e talentos talvez em gestação. É esperar para ver.

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