Elas são, para os anos 00, o que Michael Jackson e Madonna foram para os anos 80. O branco Justin Timberlake lembra o (ex-)negro Michael Jackson na dança e falsetes, e a negra Beyoncé é uma garota tão material quanto a loira em início de carreira - as fotos não enganam.
Mas Timberlake e Beyoncé invertem a equação que parecia fácil em 2003, quando saíram seus primeiros discos. Enquanto a cantora aposta sem risco, chamando Jay-Z, o mesmo que tornou ''Crazy in Love'' o hit mais grudento de três anos atrás, o ex-'NSYNC anarquiza o processo - troca os passos do ídolo pelo conceito de outro ícone negro dos 80.
É fácil curtir ''B' Day'' (Sony), o previsível segundo álbum de Beyoncé. Ele em nada difere do anterior ''Dangerously in Love'' (2003), como na sugestiva ''Déjà Vu'', a virtual canção mais pegajosa do ano.
Se a musa é mais do mesmo, Timberlake perdeu o medo de mudar e tomou para si as letras sensuais e os ritmos quebrados de um terceiro ídolo da década perdida. ''Futuresex/Lovesounds'' (Sony) é Prince como nem mesmo Prince consegue mais ser. O CD é moderno sem deixar ninguém perdido no tempo - não há, por exemplo, inovações técnicas que você não entenda. E Justin, acreditem, é capaz de combinar ritmo e interpretação como ninguém mais consegue. As pistas e os ouvidos agradecem.

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