A homenagem ao músico pernambucano Dominguinhos e a indicação em sete categorias de Paulinho da Viola prometem ser os grandes destaques da cerimônia de entrega do Prêmio Tim de Música 2008, hoje à noite, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. No entanto, para os paranaenses a grande atração deve ser outra, já que a torcida por aqui vai para a Orquestra à Base de Sopro, de Curitiba, concorrente na categoria Revelação.
A Orquestra à Base de Sopro concorre com o disco ''Mestre Waltel'', uma homenagem ao músico parnanguara Waltel Branco. O CD independente foi lançado em janeiro de 2007 e disputa o prêmio ao lado da banda Acariocamerata e de Rodrigo Maranhão. Na região Sul, somente o grupo paranaense e os artistas Vitor Ramil, Yamandu Costa, César Oliveira e Rogério Melo, todos pelo Rio Grande do Sul, estão na disputa. A organização do Prêmio Tim de Música deste ano recebeu 768 CDs e 114 DVDs, dos quais 104 foram indicados em 16 categorias.
''A indicação foi uma surpresa. Agora a lista está menor, mas quando a gente viu a lista de músicos, pensamos: sem chance'', conta o maestro Sérgio Albach, que está na orquestra desde seu nascimento, em 1993. Inicialmente, o grupo era maior, fazia parte da Orquestra do Conservatório de MPB de Curitiba. ''Antigamente tinha 30 músicos e é sempre complexo por todo mundo no palco. Então, o Roberto (maestro Gnatalli) optou por reduzir a orquestra para ficar mais fácil'', lembra Albach. Assim nasciam duas bandas: as Orquestras à Base de Corda e à Base de Sopro, esta última atualmente com 17 integrantes.
Em 1998, ambas mostraram potencial em um ''duelo'' musical na VI Oficina de MPB de Curitiba. ''O Roberto dividiu as duas orquestras e colocou uma em frente da outra, como se fosse uma partida de futebol, cada uma usando camisas de time de futebol. Então uma tocava e a outra seguia, e assim por diante'', conta Albach. A experiência bem-sucedida tornou a divisão permanente e desde então a Orquestra à Base de Sopro vem ensaiando e se apresentando na Capital, com média de 15 shows por ano.
De acordo com Albach, o diferencial da Orquestra à Base de Sopro é manter um grupo com instrumentos tradicionais, como bateria, baixo, guitarra e teclado, com os de sopro de madeira e de metais. ''Não existe muito essa formação, isso é o que dá o diferencial'', explica. E isso é audível no CD ''Mestre Waltel'', que compete hoje à noite. ''A gente conseguiu fazer um CD gostoso de ouvir, de fácil acesso e entendimento, uma música puxa a outra'', comenta o maestro.
Para o músico Gabriel Schwartz, assistente de Albach, essa formação também favorece a aproximação com o público. ''O fato de ser instrumental ainda gera uma certa dificuldade comercial, e também não estamos regravando grandes sucessos, mas a idéia da orquestra é ser popular'', diz.
Mesmo sem a certeza de saírem vencedores, os músicos já se sentem orgulhosos pela indicação ao prêmio. ''Isso é um reconhecimento. A gente está sentindo que a orquestra está crescendo, o som está evoluindo'', diz o clarinetista Jacson Vieira, há nove anos na Orquestra. ''Não ganhamos nada ainda mas se a orquestra ganhar é um reconhecimento que ela merece já há muito tempo. Não há muitas coisas similares no Brasil, são poucas, como a Banda Mantinqueira, e o nível coletivo e individual é igual ou melhor do que muitas outras por aí'', destaca o flautista Sebastião Interlandi Jr., que deixou a Orquestra Sinfônica do Paraná para integrar o grupo há dois anos.
Se o reconhecimento vier em forma de vitória, a chance do trabalho crescer é grande, de acordo com Schwartz. ''Certamente, só por estar lá, já vamos ter uma atenção maior de todos, da mídia. Já tem pessoas e gravadoras interessadas e também podemos distribuir o disco, que ficou só por aqui. Com o interesse comercial podemos também trazer mais coisas para cá'', vizualiza o músico.

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