Ernest Hemingway escreveu, certa vez, que ela podia derreter um homem com um levantar de sobrancelhas e destruir uma rival com o olhar. Quem ousaria discordar? Afinal, o escritor referia-se a Marlene Dietrich (1901-1992), a atriz alemã cujo simples dobrar de pernas nas telas bastava para tornar o mundo mais habitável entre as décadas de 30 e 40.
Nos dez anos de sua morte, o canal pago GNT homenageia a deusa com a exibição do documentário ''Marlene Dietrich Sua Própria Canção'', que será apresentado em duas partes: amanhã e terça-feira, sempre às 18 horas. O filme é dirigido por J.David Riva, neto da estrela. A narração em inglês é da atriz Jamie Lee Curtis. Já a voz em inglês de Marlene é da atriz Nina Franoszek e voz em alemão da também atriz Hanna Schygulla.
A produção teve locações na Alemanha, Los Angeles e Washington. O roteiro explora a glamourosa personalidade de Marlene, vasculha sua vida amorosa (pautada pela ambiguidade sexual) e ainda investiga sua atuação durante a Segunda Guerra Mundial. Este último tópico é mais explorado no episódio de terça-feira, que mostra a circunstância tensa em que ela recusa um convite de Hitler para deixar os Estados Unidos e voltar à Alemanha para atuar em filmes de propaganda nazista.
Em vez de ceder aos apelos, a atriz, mesmo com a carreira em baixa, optou por ajudar nos esforços dos aliados contra o fuhrer. Colaborou na venda de apólices, participou de várias performances com artistas no exterior, além de ter feito inúmeros shows no front para soldados americanos. O documentário traz depoimentos de familiares (a filha e biógrafa Maria Riva), amigos (o compositor e maestro Burt Bacharach, que a acompanhou em suas turnês) e historiadores.
A atriz esculpiu seu mito ao protagonizar ''Lola'' em ''A Anjo Azul'', de Sternberg. Com as pernas de fora, cantava ''Sou cheia de amor, da cabeça aos pés''. Depois fez ''Marrocos'', arrebatando os corações de Gary Cooper e Adolphe Menjou. Mais do que isso: numa sequência, depois de cantar para os dois pretendentes ''When Love Dies'' (Quando o amor morre)'', ela beijava uma mulher na boca.
Lotou cinemas ainda fazendo ''O Expresso de Xangai'', ''A Imperatriz Galante'' e ''Mulher Satânica''. Mas também colecionou fracassos. Ao longo da carreira, interpretou com classe as personagens mais exóticas: ciganas, cafetinas, prostitutas chinesas, cabareteiras. Virou vamp e símbolo de glamour.
Na década de 50, participou esporadicamente de alguns filmes preferindo apresentar-se como cantora e show-woman, quase sempre de fraque e cartola. Já bisavó, fez sua última aparição nas telas em ''Apenas um Gigolô'' (1979), atendendo aos pedidos de seu amigo britânico David Hemmings.
Seus últimos anos foram vividos em Paris, onde foi encontrada morta em seu luxuoso apartamento no dia 6 de maio de 1992, aos 90 anos. Consta que ela teria ingerido uma overdose de remédios para dormir, dois dias após sofrer uma hemorragia cerebral. Seu corpo foi cremado em Berlim, sem passar por autópsia.

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