O comandante Cousteau revelou para várias gerações as belezas do mundo submarino graças aos inúmeros documentários que realizou, como ‘‘O mundo do silêncio’’, que obteve a Palma de Ouro no festival de Cannes 1956.
Com esse filme, Jacques-Yves Cousteau e seu colaborador Louis Malle conseguiram converter o gênero documentário em uma verdadeira sétima arte.
Esse foi o primeiro longa-metragem de Cousteau, mas não seu primeiro filme. Ele já havia realizado vários curta-metragens - ‘‘A 18 metros de profundidade’’ (1942), ‘‘Restos do naufrágio’’ (1945), ‘‘Paisagens do silêncio’’ (1947), entre outros, e viria a rodar mais dois longas, ‘‘O mundo sem sol’’, em 1964, e ‘‘A viagem ao fim do mundo’’, em 1976.
Mas Cousteau é particularmente conhecido pelo grande público por seus documentários difundidos pela televisão e visto por várias gerações de milhões de telespectadores no mundo inteiro. Esta imagem de homem de televisão provocou, entre alguns pesquisadores, reprovações de ‘‘demagogia’’. Cousteau respondia a eles dizendo que fazia isso para defender uma boa causa: a ecologia.
A partir de 1966, Cousteau firmou um contrato fabuloso com o canal de televisão americano ABC, que lhe assegurava doze transmissões de uma hora a 400 mil dólares cada uma. Esta soma permitia a manutenção de seu barco ‘‘Calypso’’. Foi graças a esse contrato que Cousteau pode financiar muitas de suas expedições em águas doces: o lago Titicaca, o rio San Lorenzo, o Mississippi ou o Amazonas.
Em 1982, mudou de associado e assinou contrato com Ted Turner, futuro patrão da cadeia de notícas CNN. Atualmente, a CNN possui a exclusividade de distribuição dos filmes de Cousteau nos Estados Unidos. Para o resto do mundo, é o Banco Worms que possui o acervo de 18 filmes de cinema, entre eles quatro longa-metragens e dezenas de filmes para televisão, segundo o jornal ‘‘Le Monde’’. Na França, a exclusividade de exibição está nas mãos do canal público France 2.
Para financiar suas inúmeras expedições, Cousteau apelou para a Cousteau Society dos Estados Unidos (200 mil membros) e a Fundação Cousteau na França (80 mil membros).
Gradualmente, o comandante Cousteau levou seu interesse pelo mar para a defesa da ecologia, na terra e nos oceanos. Ele costumava insistir na necessidade de ‘‘começar a pensar imediatamente nos 10 bilhões de indivíduos que estão por vir’’ e queria que a ‘‘Terra continuasse sendo a Terra’’.
LivroUm livro-testamento do comandante Cousteau, ‘‘L’Homme, la pieuvre e l’orchidée’’ (O homem, o polvo e a orquídea), estará nas livrarias européias no próximo 1º de julho, anunciou ontem seu editor, Robert Laffont, em Paris.
O oceanógrafo conta nele as inumeráveis aventuras de sua vida e seus combates contra as centrais nucleares e em favor da sobrevivência das espécies. Também denuncia o que chama de ‘‘as loucuras sangrentas de nosso tempo’’, como a superexploração da fauna e flora marinhas e descreve seus animais favoritos, as baleias e os cachalotes, que ‘‘continuam sendo os nobres herdeiros da evolução’’.

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