NA TEVÊ - São tantas emoções...
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sábado, 20 de dezembro de 2003
André Bernardo<br> TV Press 
Desde 1974, quando estreou um especial de fim de ano na Globo, Roberto Carlos virou uma espécie de tradição natalina na tevê brasileira. Todo santo ano, ele cumpre o mesmo ritual: lança um CD e, logo em seguida, grava um especial, com imagens de shows, exibição de videoclipes e a participação de artistas da Globo e da MPB. Este ano, para a alegria de uma legião de súditos, o ''rei'' não vai fugir à regra. O ''Especial Roberto Carlos'', hoje, vai exibir trechos do show do Maracanãzinho, no Rio, gravado nos dias 6 e 7 de dezembro. No repertório, três ou quatro músicas do novo álbum, ''Pra Sempre'', e os ''standards'' de sempre, como ''Detalhes'', ''Emoções'', ''Jesus Cristo''... ''Na Globo, sempre fiz o que eu gostaria de fazer. Nunca me impuseram nada. Sempre tive a liberdade de colocar as minhas idéias. Eu me sinto muito bem lá'', define o cantor.
Previsível ou não, o ''Especial Roberto Carlos'' tornou-se um dos trunfos da programação de final de ano da Globo. Não por acaso, a emissora sequer cogitou de não renovar o contrato do cantor, que vence esse ano. Para Dodi Sirena, empresário de Roberto, dinheiro nunca foi motivo de briga ou impasse. ''Obviamente, como empresário, tenho consciência de que ele valeria dez vezes mais em outras emissoras. Acontece que a relação do Roberto com a Globo não é regida pelo dinheiro'', observa Sirena.
Em mais de 30 anos de contrato, Roberto só deixou de apresentar seu especial uma única vez. Foi em 1999, quando abalado pela morte da mulher Maria Rita, Roberto suspendeu a realização do especial. ''Costumo disfarçar bem o que vai dentro de mim. Mas isso não significa que as coisas tenham mudado. O tempo, aliás, não vai mudar o que sinto em relação a ela'', emociona-se.
Uma das características mais marcantes do ''Especial Roberto Carlos'' são os duetos. Ao longo dos anos, ele já cantou ''Lígia'' com Tom Jobim, ''Canção da América'' com Milton Nascimento, ''Aquarela do Brasil'' com Gal Costa... Este ano, ele divide o palco com Zeca Pagodinho. ''Como todo brasileiro, também sou fã do Zeca. Ainda não sei exatamente a música que vamos cantar, mas, seja lá qual for, a alegria vai ser grande'', derrama-se. Roberto Carlos também não sabe ainda se o ''amigo de fé, irmão camarada'' Erasmo Carlos vai participar do especial desse ano. No mais recente álbum de Roberto, aliás, os dois só compuseram uma única música juntos: ''Cadillac''. ''As músicas que tenho feito para Maria Rita são muito especiais. Não saberia dividi-las com outra pessoa. Felizmente, o Erasmo entende muito bem isso...'', garante.
A única parceria com Erasmo no álbum, diga-se de passagem, remete aos tempos da Jovem Guarda. A música ''Cadillac'' é uma divertida alusão a ''O Calhambeque'', de 1964, um dos maiores ''hits'' da carreira do cantor. A música fez tanto sucesso na época que Roberto ganhou, um ano depois, um programa semanal na Record, ''Jovem Guarda'', ao lado de Erasmo e Wanderléa, que durou até 1968. A partir daí, Roberto passou a ditar moda entre a juventude, do corte de cabelo a gírias, como ''É uma brasa, mora?''. ''Tenho muita saudade da Jovem Guarda. Não só eu, mas todo mundo que viveu aquela época. A Jovem Guarda foi muito especial na minha carreira'', avalia.
E foi mesmo. Foi por causa da Jovem Guarda, por exemplo, que Roberto começou a fazer cinema. Entre 1968 e 1972, ele protagonizou ''Em Ritmo de Aventura'', ''O Diamante Cor-de-Rosa'' e ''A 300 km por Hora'', todos dirigidos por Roberto Faria. ''Nunca gostei muito de mim como ator. Sempre achei que poderia ter feito melhor'', opina, com sua habitual modéstia. Em 2003, Roberto voltou às telas de cinema. Primeiro, na trilha do filme ''O Caminho das Nuvens'', de Vicente Amorim. E, depois, na paródia do Peixoto Carlos, feita por Hubert em ''A Taça do Mundo É Nossa'', de Lula Buarque de Hollanda.
Há dias, Roberto Carlos foi surpreendido também por um convite do autor Gilberto Braga para fazer uma participação em ''Celebridade'', onde contracenou com a produtora Maria Clara Diniz, de Malu Mader. ''A novela foi mais fácil de fazer. Ali, eu não fui ator. Ali, eu interpretei a mim mesmo'', ressalva o cantor, soltando mais uma de suas características risadas.


