As primeiras exibições foram impactantes. Ao chegar às telas, ''Cronicamente Inviável'' (2000) foi saudado como um dos títulos mais instigantes desde a retomada do cinema nacional. ''Contundente'', ''Politicamente incorreto'' e ''pancada na consciência nacional'' foram alguns das expressão utilizadas para definir o quarto longa do paranaense Sérgio Bianchi.
Após obter razoável bilheteria, o filme tem a chance de ampliar seus entusiastas com sua exibição hoje, às 23h15, pela TV Cultura. Girando em torno de seis personagens, a trama pinta um quadro caótico da realidade brasileira flagrando o cinismo da elite, a corrupção dos intelectuais e a alienação dos miseráveis.
As histórias paralelas costuram-se com a história do escritor Alfredo (Umberto Magnani), que viaja pelo país registrando suas reflexões sociológicas em um gravador. No final, ele vai se revelar um traficante de órgãos humanos. As situações têm como fio condutor um restaurante num bairro rico de São Paulo, que é de propriedade de Luís (Cecil Thiré). Ele é um homem refinado, mas ao mesmo tempo irônico e pungente.
O paranaense Adam (Dan Sthulbach) acaba de chegar à cidade e consegue emprego como garçom no estabelecimento. De ascendência polonesa, ele prega o terror como forma de insurreição. Amanda (Dira Paes), a gerente, engana a todos com uma falsa simpatia humilhando os subordinados e desenvolvendo atividades ilegais, como comércio de bebês.
O casal formado por Carlos (Daniel Dantas) e Maria Alice (Betty Gofman) vem do Rio de Janeiro para se encontrar no restaurante, onde mostra suas diferenças em relação às pessoas de classes sociais mais baixas. Enquanto ele revela uma visão pragmática da vida, que acredita na racionalidade como forma de tirar proveito da bagunça típica do Brasil, ela tenta ser solidária praticando gestos como levar brinquedos para crianças de rua.
Em algumas passagens, a fita adota a linguagem de documentário, recurso que acaba conferindo mais realismo aos dramas vividos pelos personagems. A visão do cineasta é de indignação, impotência e a amargura de quem não vê saídas para o país. Sem livrar a cara de ninguém, Bianchi declarou numa entrevista que o filme não apontava culpados, mas procurava os inocentes.
Para rodá-lo, precisou de R$ 1,5 milhão, metade do orçamento médio atual dos longas-metragens nacionais. Por falta de dinheiro, o cineasta teve de parar as filmagens três vezes e mudar o roteiro outras tantas.

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