NA TEVÊ - No embalo do 'pancadão'
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sábado, 20 de maio de 2006
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
Se um bordão inédito aparecer no Casseta Planeta, ou um novo grito de guerra ecoar nas arquibancadas do Maracanã, pode ter certeza que ambos foram cunhados pelos MCs nos bailes dos subúrbios do Rio. É lá que as gírias se renovam debaixo das batidas cruas do funk carioca, também conhecido como pancadão.
Já incorporado ao gosto musical dos abastados brasileiros, o ritmo contagiou também o público da Europa onde clubes noturnos são sacudidos pelos sucessos de nomes como DJ Marlboro, Tati Quebra-Barraco, Deize Tigrona, MC Leozinho e Naldo e Lula. A MTV celebra o fenômeno com a exibição do ''Especial Funk Carioca'', que vai ao hoje às 20 horas, com reprise no dia 27 às 23 horas.
O programa investiga o cotidiano das comunidades, os bailes e a relação do funk com a favela e o asfalto. Fala também da maratonas, miniturnês através dos quais os funkeiros se apresentam em vários bailes numa mesma noite. O especial traz depoimentos de Mister Catra, MC Duda 2D, Bonde dos Magrinhos e dos já citados DJ Marlboro e Tati Quebra-Barraco, além de entusiastas do movimento como a cantora Fernanda Abreu.
Pancadão ''é som de preto /de favelado /mas quando toca /ninguém fica parado'' diz uma letra de Amilka e Chocolate. Interessada em se divertir, a platéia do estilo habituou-se a cantar refrões chulos repletos de referências a sexo, roupas, carros de luxo, futebol e aos próprios bailes. O som recria o ''miami bass'', música americana que DJs pioneiros da década de 70 picotaram, temperaram e cozinharam para transformar num prato tipicamente carioca.
Em geral, a mistura inclui um bumbo eletrônico supergrave, agudos de sintetizador barato e uma voz desafinada repetindo frases pegajosas. Como ocorreu em temporadas anteriores, o carnaval desse ano registrou um dos ápices do gênero, que chegou a rivalizar com o samba e o axé na animação dos foliões. O motivo foi a maciça conversão de adolescentes da classe média ao ritmo em todas as regiões do País.
Em Londrina, o pancadão penetrou até nas discotecagens da badalada (mas já extinta) festa ''A Noite do Charuto Cubano'', dedicada à rumba, salsa, merengue, cha-cha-cha e outras latinidades. O funk carioca nunca se alastrou tão amplamente fora das camadas populares, embora tenha experimentando outros momentos de sucesso, como em 2001 com o estouro do Bonde do Tigrão e seu hit ''Cerol na Mão''.
Nem a teledramaturgia da Globo escapou do arrastão musical. Na novela ''América'', uma personagem riquinha interpretada por Mariana Ximenez adorava se jogar nos bailes de subúrbio. O trio curitibano Bonde do Rolê, convertido ao gênero, foi arrastado pelo hype e está se dando bem. Foi destaque até na revista Rolling Stone. Na semana passada viajou para uma turnê pelo Velho Mundo, que será sucedida por uma excursão ao Canadá e Estados Unidos.
Ontem o grupo tocaria em Londres, hoje tem show marcado em Paris e amanhã tem mais uma apresentação na capital inglesa. O funk carioca conquista o mundo.
Serviço:
Hoje na MTV: Especial Funk Carioca. Horário: 20 horas. Reprise dia 27, às 23 horas.


