A literatura é o patinho feio da televisão brasileira. Não tente procurá-la nos canais abertos, porque o máximo que você vai encontrar será uma propaganda oficial tentando estimular a leitura entre os jovens, ou uma reportagem ligeira nos noticiários sobre um evento ou outro dedicado ao universo dos livros (caso da recém-encerrada Flip, em Parati).
  A série ‘‘Grandes Mestres da Literatura’’, exibida pela TV Cultura, é uma exceção na regra. Mesmo assim, vai ao ar num horário indigesto: à 1 da manhã. Neste domingo, o programa destaca o escritor italiano Italo Calvino (1923-1985), autor de obras como ‘‘Cidades Invisíveis’’, ‘‘O Castelo dos Destinos Cruzados’’, ‘‘Seis Propostas para o Próximo Milênio’’, ‘‘Por que ler os Clássicos’’ e a trilogia ‘‘Os Nossos Antepassados’’.
  Sua vida e seu legado serão dissecados num documentário, que reúne entrevistas concedidas para a televisão em diferentes estágios da carreira de escritor. O programa mostra como ele inscreveu seu nome na literatura mundial ao publicar contos com fundo moral, fantasias e fábulas. Traz à luz, ainda, suas reflexões sobre o gênero autobiográfico e as contradições da sociedade.
  O ensaísta Arthur Nestrovisky assina o texto e cuida da apresentação. A série ‘‘Grandes Mestres da Literatura’’, vale lembrar, é intercalada com a exibição da similar ‘‘Grandes Mestres da Pintura’’. Ambas reconstituem as trajetórias dos mais consagrados nomes das letras e das artes visuais que, por meio de suas obras, imprimiram suas percepções acerca do mundo que os rodeava.

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