É tudo tôsco, trash e ridículo no longa-metragem ''O Xerife Canastrão''. Mas o que poderia ser motivo para a rejeição do público, virou a grande aposta para atrair os espectadores às salas de exibição. O filme estréia hoje às 20h30 no Cine Teatro Mauá, em Arapongas, permanecendo em cartaz amanhã e domingo, com sessões às 14h30 e 20h30.
Rodado na cidade que fica a 37 quilômetros a oeste de Londrina, ''O Xerife Canastrão'' foi realizado sem qualquer verba oficial pela dupla de humoristas locais Fernando Borghi e Sérgio Tadeu Furlan. ''Ele nasceu a partir de um quadro de um programa semanal que produzimos e apresentamos na TV Cultura (Canal 27)'' contam.
No quadro, ele parodiam os filmes de bangue-bangue em esquetes de 15 a 20 minutos. ''Satirizamos a linguagem do faroeste. Brincamos com a fala dos personagens misturando espanhol e mexicano'' salientam. Em meados do ano passado passado, a dupla decidiu transportar a experiência para a tela grande após a boa receptividade da audiência.
''A aceitação foi boa'' explicam. ''Os adultos gostam porque mostramos personagens-ícones, como 'Django', nos episódios. Já as crianças adoram porque se identificam com os cavalinhos de pau e as espingardinhas de pressão que compramos em lojas de 1,99''. O roteiro para o longa foi escrito em 1 mês. A história é ambientada em El Passos, um vilarejo nos confins do México habitado por uma fauna improvável, como um assassino canibal vegetariano e bandidos que assaltam um banco só para comprar garrafas de tequila.
Há ainda um xerife, interpretado por Fernando, que diante de qualquer situação que possa colocar a ordem da comunidade em risco recorre a um forasteiro destemido para ajudá-lo. ''Ponchito, o forasteiro, é o mocinho. Uma espécie de Zorro de segunda divisão, um herói de Terceiro Mundo'' ressaltam. A produção mambembe, beirando o absurdo, saltará propositalmente aos olhos do público durante a exibição.
Fernando lembra que todo o guarda-roupa dos atores foi adquirido em brechós. Além dos revólveres de brinquedo, algumas armas foram fabricadas artesanalmente com antenas de televisão e canos de PVC. O vento é de ventilador. O elenco, com exceção de sete atores de teatro amador, foi arrebanhado entre os amigos da dupla.
As cerca de 50 pessoas convidadas participaram como atores, figurantes, contra-regras, câmeras, iluminadores e maquiadores. A trilha sonora uniu trechos de clássicos do western com música incidental original criada por Marcus Comar. ''Ninguém ganhou nada. Todos colaboraram a troco de churrasco'' brincam. Orçado em R$ 5 mil, o filme foi feito com dinheiro do próprio bolso dos dois atores-produtores.
Rodado em câmera digital, ''O Xerife Canastrão'' usou como locações o Parque das Nações e o Espaço Cultural Ruínas, ambos em Arapongas, e o distrito Caixa São Pedro, em Apucarana. ''Captamos a maioria das cenas de madrugada, por causa do barulhos dos carros no Centro. Às vezes, o trem também atrasava as filmagens e tínhamos que esperar ele atravessar a cidade'' contam.
O filme tem 80 minutos de duração. Várias tomadas de cena ficaram de fora. O material excluído, porém, não será descartado. Há planos de lançar o longa em DVD. ''É nossa intenção, depois de alcançar o máximo de público nas salas de exibição. Como foram 22 horas de filmagens, temos muitas imagens extras'' sublinham.
Estreantes no cinema, Fernando e Tadeu atuam há 15 anos em teatro e animação de eventos. Já montaram mais de 20 espetáculos tanto para o público adulto quanto para o infantil. Uma das montagens, ''A Caminho da Escola'', já circulou por mais de 50 municípios levando mensagens que fundem humor e educação para o trânsito. Começaram na televisão em outubro de 2003, quando estrearam o programa ''Os Pirados'' no canal local da Net.
A partir de janeiro desse ano, passaram a apresentar o ''Programa Fernando e Tadeu'' na TV Cultura (canal 27). A incursão pela telinha foi o passaporte para engatar o longa-metragem. Longa vida para os jovens cineastas.

Serviço:
- Filme ''O Xerife Canastrão''. Hoje: 20h30. Amanhã e domingo: 14h30 e 20h30. Local: Cine Teatro Mauá, em Arapongas. Ingressos: R$ 5,00. Censura Livre.

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