De tempos em tempos, a Globo decide incluir uma leva de filmes nacionais na grade programação. Desta vez, a emissora vai exibir cinco produções brasileiras no ''Festival Nacional''. De segunda a sábado, da próxima semana, Globo programou ''Xuxa Requebra'', ''Eu, Tu, Eles'', ''Amores Possíveis'', a minissérie ''Luna Caliente'' e ''Tolerância''. Os únicos que podem ser considerados sucessos na tela grande são ''Xuxa Requebra'', com mais de 2 milhões de espectadores, e ''Eu, Tu, Eles'', que atingiu a casa dos 700 mil. No entanto, todas as produções contam com atores globais no elenco.
''Eu, Tu, Eles'', por exemplo, que será exibido na terça-feira, após o ''Casseta & Planeta, Urgente!'', reúne Regina Casé, Lima Duarte, Stênio Garcia e Luís Carlos Vasconcelos. O filme é baseado na história verídica de uma nordestina a Darlene vivida por Regina Casé que mora junto com três maridos. ''Eu, Tu, Eles'' tem direção de Andrucha Waddington e foi produzido em 2000. O diretor está eufórico com o fato de ''Eu, Tu, Eles'' finalmente provar o seu alcance junto ao público da tevê aberta. ''É maravilhoso ter uma exibição na qual até 40 milhões de pessoas podem ver o filme. Afinal, filmes são feitos para serem vistos'', exulta Andrucha.
Já a comédia romântica ''Amores Possíveis'' está programada para quinta, dia 9, após ''A Grande Família''. A produção é encabeçada por Murilo Benício e Carolina Ferraz namorados na época. O roteiro é sobre Carlos, que há 15 anos havia ido ao cinema encontrar a colega de faculdade Júlia. Mas ela não aparece. A partir deste momento, a história passa a acompanhar três versões possíveis para a vida de Carlos. ''Amores Possíveis'' teve um público de 380 mil espectadores e foi considerada a melhor produção latina no Festival Sundance, nos Estados Unidos. ''Uma das vantagens do filme ser exibido na tevê aberta é que vai atingir o público do interior do Brasil, onde o cinema não chega'', ressalta a diretora Sandra Werneck. ''O filme ir para a tevê aberta é uma espécie de final de rota, pois quer dizer que se cumpriu todas etapas de exibição'', completa.
A Globo também resolveu exibir em apenas um dia a minissérie ''Luna Caliente'', que em 1999 foi mostrada em três capítulos. A produção vai ao ar na sexta, dia 10, após o ''Globo Repórter''. Na verdade, a idéia da emissora era levar ''Luna Caliente'' para o cinema, como já havia feito com ''O Auto da Compadecida''. Mas a Globo descobriu tardiamente que um escritor francês já havia comprado os direitos do livro e isso inviabilizou o projeto. ''Luna Caliente'' é protagonizada por Paulo Betti. O ator vive Ramiro, um advogado de 40 anos que volta ao Brasil após oito anos de exílio na França. O filme se passa no Brasil dos tempos de ditadura e tem como cenário uma pequenina cidade na fronteira do Brasil com a Argentina. Com direção de Jorge Furtado, ''Luna Caliente'' conta no elenco com Ana Paula Tabalipa, Tonico Pereira, Paulo José, entre outros. ''Vai ser muito bom a minissérie passar em um dia só, pois é um suspense e o espectador assistir sem a divisão em capítulos vai tornar a história mais envolvente'', acredita Paulo Betti.
Para fechar o ''Festival Nacional'', a Globo aposta em ''Tolerância'', de Carlos Gerbase. A trama é estrelada por Maitê Proença e Roberto Bomtempo e será exibida no sábado, dia 11, após o ''Zorra Total''. O filme acompanha a conturbada relação do casal de protagonistas Márcia e Júlio, que vivencia os limites da fidelidade e da liberdade dentro do casamento. ''Tolerância'' foi lançado em novembro de 2000 e teve 100 mil espectadores. ''A audiência da tevê aberta no Brasil é a prova de fogo de qualquer filme. Tenho certeza que 'Tolerância' vai agradar'', arrisca Gerbase. Apesar dos diretores e atores ficarem felizes com a ''colher de chá'' que a Globo está dando para os filmes nacionais na programação, todos acreditam que o espaço deveria ser bem maior. ''Precisamos ocupar nossas telinhas com mais filmes nacionais. Uma boa saída seria o Canal Brasil ser exibido em rede aberta'', sugere Betti. ''Já está na hora de existir uma cota para a produção nacional na televisão'', argumenta Andrucha.

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