Gente simples, praças, feiras, viola, pandeiro, rabeca. ''Nordeste: Cordel, Repente e Canção'' (1975), de Tânia Quaresma, com trilha sonora de Zé Ramalho, a ser exibido hoje, no Canal Brasil, registra por meio de personagens, cenários e música cenas que colocam lado a lado a riqueza e a miséria que envolvem algumas das mais tradicionais manifestações populares.
Filmado no interior da Paraíba e de Pernambuco, o documentário conta a trajetória da ''poesia matuta'', mais tarde chamada também de literatura de cordel. Manifestação assim batizada pelo fato de os folhetos onde são impressas as poesias ficarem pendurados em barbante (cordão) nas feiras.
Nas vozes dos artistas, ouvimos os ''causos'' das origens dessa arte com o poeta paraibano Leandro Gomes de Barros (1865-1918), passando pelo modo como são impressos os folhetos montagem das letras que formam os versos em chapas de ferro, o entalhe da xilogravura , pela figura do construtor dos instrumentos, pelos mitos, desafios e provérbios presentes nas canções e repentes, até sua divulgação e venda em rádios e espaços públicos.
A beleza das falas desses homens e mulheres que escrevem e cantam histórias de príncipes e princesas, dos reinos de Deus e do Diabo, não deixa de se chocar com a pobreza em que vivem. Um do entrevistados diz que em suas composições seus parentes são sempre duques e duquesas, ao mesmo tempo em que a câmera foca a casa humilde cheia de crianças. Para ele, cordel é cordão, no qual o poeta vem ''se enforcando, passando misérias''.

Serviço
- Filme ''Nordeste: Cordel, Repente e Canção''. Hoje, às 23h40, no Canal Brasil. Reprises: amanhã, às 14 horas, e no dia 5, às 16h30

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