Na subida do morro
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
Arcângela Mota<br> TV Press 
Cíntia Rosa é uma típica carioca Daquelas que puxam o ''s'' ao falar e caminham com gingado E são essas características que a atriz criada no Vidigal, comunidade na Zona Sul do Rio de Janeiro, empresta para Gleicy, a protagonista do episódio ''A Internauta da Mangueira'', que vai ao amanhã na série ''As Cariocas''
Menos experiente de um elenco repleto de estrelas, Cíntia garante que nunca ficou intimidada por ser a novata do grupo Pelo contrário Agora, ela busca aproveitar a repercussão da série para alavancar sua carreira na tevê, após algumas participações em produções da Globo e em uma novela da Record '''As Cariocas' com certeza vai levantar minha carreira Tive papéis mais consistentes no cinema e no teatro Na tevê, posso considerar que esse é o meu primeiro'', vibra a atriz de 30 anos, que foi a única protagonista do elenco escolhida por testes
No episódio ''A Internauta da Mangueira'', Gleicy é uma dona de casa dedicada que leva uma vida tranquila ao lado do marido Armando, personagem de Eduardo Moscovis, por quem é apaixonada Nascida e criada na Mangueira, ela trabalha em casa digitando teses e monografias, e, por conta disso, passa horas navegando na internet Só que o tempo na rede nem sempre é dedicado ao trabalho ''Ela gosta de se mostrar na internet Isso gera todo o conflito da história'', sintetiza Cíntia, que foi fazer os testes para a produção a convite de Cris D'Amato, uma das diretoras da série, com quem já havia trabalhado antes no cinema
Por conta das familiaridades com a personagem, Cíntia conta que não precisou correr atrás de uma preparação específica E, apesar da história de Gleicy ter sido criada especialmente para a série, e não retirada do livro de Sérgio Porto que dá nome à produção, a atriz destaca que fez questão de pesquisar sobre a vida e obra do autor ''Ele tem uma irreverência que é a cara do Rio de Janeiro De resto, pude emprestar para a Gleicy o jeito carioca de ser, o gingado e a malemolência'', orgulha-se ela, que levou seis dias para gravar o episódio A grande diferença entre as duas, segundo a atriz, é apenas o interesse pela internet ''O mundo está online e não tem como fugir Só que uso normalmente, em doses saudáveis'', garante
Com 19 anos de trabalho no grupo teatral Nós do Morro, Cíntia conta que tirou do cinema e do teatro a segurança para encarar uma das protagonistas da história da Globo O gosto pela atuação veio com a influência de amigos na infância, que começaram a fazer aulas de teatro no grupo e a incentivaram a ir junto ''Comecei a atuar por causa deles Achava lúdico, divertido Depois fui entendendo e me apaixonando O Nós do Morro foi essencial para a minha construção artística'', avalia a atriz, que este ano também pode ser vista no filme ''5X Favela - Agora por Nós Mesmos''
Apesar de nunca ter trabalhado com outra coisa além da atuação, Cíntia confessa que já se deixou abater pelas incertezas da carreira de atriz E viveu uma pequena crise após um longo período sem conseguir trabalhos, o que a levou investir em um plano B ''Achei que precisava de uma carta na manga e fui cursar Publicidade Cheguei a fazer cinco períodos, mas percebi que estava infeliz e voltei para o teatro'', lembra ela, que é formada em Artes Cênicas
Ainda pouco conhecida do público, Cíntia se orgulha ao comentar que ainda hoje sente a repercussão do tempo em que participou da série ''Cidade dos Homens'', da Globo, na pele da bela Zuleide E se diverte ao contar que ela e o namorado, o ator Jonathan Haagensen, que interpretava o bandido Madrugadão, já foram reconhecidos até por estrangeiros ''O cara ficou fascinado e tentava falar Zuleide, sem conseguir Achamos que fosse uma pegadinha, mas a Globo vende muita série para o exterior'', recorda, aos risos, a atriz, que agora aguarda o reconhecimento de seu trabalho em ''As Cariocas'' ''Acredito que minha imagem seja projetada com mais força Vai ser ótimo, maravilhoso'', comemora


