Na região, frio e vento são constantes
PUBLICAÇÃO
domingo, 04 de março de 2001
Da Redação 
Em 1520, quando o navegador português Fernão de Magalhães descobriu o estreito que hoje leva seu nome, encontrou enormes pegadas na neve, feitas por índios gigantes, os tehuelche. Magalhães apelidou-os de patagones ou pés grandes, de onde veio o nome da região continental mais próxima do Pólo Sul.
Na época glacial, há milhões anos, uma imensa camada de gelo cobria o sul da Cordilheira dos Andes. Nos 785 mil quilômetros quadrados da Patagônia, a maior parte em território argentino, ainda há restos dela. São as geleiras que se derretem lentamente. Bloco de gelo, miniicebergs que refletem um azul intenso, caem das montanhas e se desprendem dos paredões, quebrando vez ou outro o silêncio quase absoluto que reina no lugar.
É difícil descrever a beleza que os Andes derramam sobre as províncias patagônicas. Bosques milenares e silenciosos se estendem pelas margens de serenos espelhos dágua e o gelo glacial se derrama nos cumes das montanhas, em picos de granito e intermináveis e milenares campos brancos.
Situada no extremo meridional da América do Sul, pertencente ao Chile e à Argentina, a Patagônia alcança os últimos recifes da Terra do Fogo. Esse lugar, que parece ser uma porção do continente antártico, à primeira vista sem grandes atrativos, revela as mais belas paisagens e justifica uma viagem até o fim do mundo.
Quando o naturalista inglês Charles Darwin passou pela Patagônia, na primeira metade do século 19, não levou impressão favorável e chamou-a de terra maldita. Se ele esteve na região durante os meses de outubro e novembro, sua opinião mostra que até hoje nada mudou. A chuva e o sol pálido fazem da região um lugar pouco turístico. O tempo porém, adquire cores de trópico nos meses de dezembro a março e lembra paraísos já perdidos pelo homem. Dois elementos, contudo, são permanentes o frio e o vento forte. Assim como o comentário jocoso que diz que para conhecer a Patagônia ninguém precisa se movimentar. Basta ficar parado que ela passa pela frente, carregada pelas rajadas do poderoso vento.
A Patagônia não é terra do homem, mas santuário da natureza. Para turistas, existem uma infinidade de veredas para serem percorridas de carro, a pé, de bicicleta ou a cavalo. São itinerários de inimaginável beleza.


