Na proa da nova MPB
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terça-feira, 09 de dezembro de 1997
Nelson Sato Londrina 
DivulgaçãoLenine: obcecado por ficção científica, histórias em quadrinhos e cinemaA tentação de elegê-lo a revelação do ano é grande. Afinal, com o lançamento do álbum O Dia em que Faremos Contato (BMG), ele andou recebendo elogios de A a Z disparados por um elenco que inclui desde críticos renomados a representantes de duas gerações como Caetano Veloso e o VJ da MTV Gastão.
O mimo da vez atende pelo nome de Lenine, um cantor, compositor e violonista pernambucano de 38 anos radicado desde os 18 no Rio. Longe de ser um estreante, Lenine ostenta mais de quinze anos de carreira, período no qual atuou mais como autor do que como intérprete. Entre os artistas que já gravaram suas composições figuram Tim Maia, Fernanda Abreu, MPB-4, Elba Ramalho e Rappa.
À semelhança de outros artistas contemporâneos, ele combina ritmos regionais com a informação pop de ponta usando recursos tecnológicos como samplers e programação eletrônica. Em seu novo trabalho, a faixa de abertura A Ponte é quase um manifesto de sua estética aberta às novidades do mundo. Como é que faz pra sair da ilha? / Pela ponte, pela ponte / A ponte não é de concreto / Não é de ferro, não é de cimento / A ponte é até onde vai o meu pensamento - diz a letra.
Progressivo Memorável é a canção Hoje Eu Quero Sair Só (Já deu minha hora / E eu não posso ficar / Tchau! / A lua me chama / Eu tenho que ir pra rua), já transformada em clipe. O Dia em que Faremos Contato abriga a diversidade em um leque de gêneros que vai do maracatu ao samba e do ponteio de viola ao baião. Apesar da cor local, a maioria das composições vem pontilhada por elementos pop.
É seu primeiro álbum-solo, mas o terceiro trabalho gravado. Agora, com tanta badalação, é provável que ocorra uma corrida aos sebos atrás de seus discos anteriores Baque Solto (de 1983, feito em parceria com Lula Quiroga) e Olho de Peixe (1994, com Marcos Suzano).
O álbum O Dia em que Faremos Contato combinaPara o novo álbum, Lenine escalou o produtor Chico Neves como parceiro, ainda que não o tenha destacado nos créditos principais. Ele me apresentou um mundo sonoro que eu até então desconhecia - revela o músico, que durante um ano e meio se encontrou no estúdio com o colega para gravar e discutir os arranjos.
Encarte Após as sessões de gravação, os dois viajaram a Londres para mixar o disco no estúdio do selo Real World, de propriedade do músico inglês Peter Gabriel. Eu realizei um sonho, porque sempre fui fã de rock progressivo, em especial do grupo Genesis (do qual Gabriel fez parte) - confessa. Mais ligado em imagens do que em sons, como revela na entrevista àFolha, Lenine surpreende por trazer referências inusitadas (ficção científica, história em quadrinhos e cinema) à praia da MPB.
Referências que em O Dia em que Faremos Contato se apresentam nas ilustrações do encarte e no imaginário contido nas letras.


