Quem for ao Teatro Calil Haddad de Maringá hoje e amanhã vai ver a atriz Christiane Torloni presa em uma gaiola contracenando com quatro atores bailarinos em uma apresentação considerada magistral para retratar a saga da guerreira Joana D’Arc. O espetáculo ‘‘Joana Dark, a Re-volta’’ integra tecnologia, técnicas de dança, circo e efeitos de luz, conseguindo assim, impactar o público e traçar paralelos de temas atuais suscitados por Joana D’Arc há 500 anos.
Questões como o preconceito, o homossexualismo e o corporativismo são colocados à tona durante o texto bem humorado da americana Carolyn Cage, traduzido e adaptado por Adelaide Amaral. A peça é dirigida por José Possi Neto, o mesmo parceiro de Christiane Torloni no premiado espetáculo ‘‘Salom钒. A atriz segue a experiência anterior e exerce também a produção da peça.
Joana D’Arc é um dos mais poderosos ícones femininos de todos os tempos e por sua atitude frente ao exército francês recebeu denominações opostas como o de virgem e lésbica, heroína e traidora, santa e herege. O excesso de antíteses não foi capaz de derrubar o mito, sendo inclusive canonizada em 1.920 tornando-se a Santa Joana D’Arc, padroeira da França.
No palco, ou melhor, pela gaiola, Christiane Torloni fala sobre Joana D’Arc por um ponto de vista novo, traçando um paralelo com a história das mulheres de hoje. Ela mostra ainda que nada mudou em cinco séculos. A atriz só tem recebido elogios pela atuação exacerbada na expressão corporal, porém, ‘‘nos limites exatos, mesclando sensualidade e fragilidade’’, aponta o crítico Nelson de Sá. ‘‘Joana Dark, a Re-volta’’ estreou no Rio de Janeiro, em julho na reabertura do Teatro Adolpho Bloch, que ficou fechado por dois anos.
Segundo Christiane Torloni, nesta passagem para o século 21 é importante abordar eternos problemas a partir de uma reflexão madura, nova, polêmica e instigante. Torloni ressalta que a autora Carolyn Cage recua 500 anos para mostrar o pouco que mudamos em questões como o preconceito e o corporativismo.
A atriz conquistou o público de teatro e derrubou a versão de que o desempenho artístico era devido ao sucesso das diversas novelas globais. Christiane Torloni trabalha há 24 anos e também passou pelo cinema em filmes como ‘‘Beijo no Asfalto’’ e ‘‘Besame Mucho’’.
Agora a atriz conta a história de Joana D’Arc que nasceu em 1.412 na região francesa da Lorraine, em plena guerra dos Cem Anos, em que França e Inglaterra disputavam territórios. Neste período, os camponeses eram constantemente atacados pelos soldados ingleses e tinham suas casas destruídas, os bens roubados e as mulheres estupradas. Joana D’Arc nasceu camponesa e pobre, mas sua atuação mudou a história da França.
Para conquistar o comando do exército francês aos 17 anos, Joana convenceu o rei Charles VII de que vozes diziam ao seu ouvido que ela iria salvar a França. Depois de vencer inúmeras batalhas importantes, a guerreira passou a incomodar a nobreza francesa e, em 1480, Joana D’Arc foi capturada, levada à prisão e vendida aos ingleses. Foi considerada herege pela Santa Inquisição e morreu na fogueira em maio de 1.481.
- ‘‘Joana Dark, a Re-volta ’’, com Christiane Torloni. Hoje e amanhã no Teatro Calil Haddad, em Maringá, às 21 horas. Ingressos a R$ 25,00 e R$ 10,00 (para estudantes).

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