NA PASSARELA DNA e cinema inspiram moda
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 10 de março de 2004
Ana Clara Garmendia<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Passado os confetes do primeiro dia do Curitiba Fashion Art (CFA), quando o evento privilegiou seus princípios de valorizar ao máximo a produção local entregando o Prêmio João Turin ao melhor de 19 trabalhos feitos por estudantes do Paraná em cima do fandango, finalmente a moda apareceu nas passarelas do evento.
A noite começou com a apresentação de Jean Pierre Lobo. Um velho conhecido de quem consome roupas feitas aqui, Jean Pierre continua com uma produção independente baseada num estilo que ele próprio carrega. Roupa urbana com a genética como tema. Para Jean a roupa vai ser (e já é) o linguajar com que as pessoas irão identificar umas às outras com o passar do tempo.
A tecnologia de exames de DNA vem explícita em estampas de uma camisaria mais evoluída do que na coleção anterior. Jean Pierre bebeu um pouco nos filmes Gattaca e Minority Report.
Saias amplas e abaixo do joelho dão uma leve feminilidade às garotas JPL. Elas aparecem combinadas com camisetas justas e botas bem pesadas.
O militarismo é abordado pelo estilista com uma visão peculiar. As meninas desfilaram com uma espécie de cinta-liga que fazia alusão aos porta-revólveres que os militares usam nas pernas. Claro que são para desfile, mas a atitude impressa ficou bem boa.
Jean Pierre cresceu também na alfaiataria dos costumes masculinos e não fugiu da gama de cores que lhe são caras: trabalhou com azul, creme, os verdes musgo e oliva, o preto, o branco e o vermelho (que apareceu como veias silkadas em camisetas pretas).
Bom momento do CFA, o estilista continua trabalhando do que jeito que sabe, sem querer fazer espetáculo e criando uma moda que certamente terá compradores.
Depois foi a vez de um dos três convidados estrangeiros do evento apresentar seu trabalho. Rodrigo Fraga é um dos estilistas a participar da semana de moda de São Paulo, o SPFW, e trouxe a mesma coleção para mostrar ao público curitibano.
Roupa na concepção máxima da palavra. Fraga também tratou de cinema num desfile intitulado e editado em 2 atos. O primeiro ato mostrou uma moda masculina embasada no filme Metrópolis, de 1926, do alemão Fritz Lang. Uma alfaiataria perfeita com calças justas, bem anos 20. Fraga transportou para 2004 todo um estilo daquela época. Fez festa com cortes perfeitos unidos à tecnologia e o frescor dos tecidos e cores de hoje. Abusou da misturas de padronagens com listras e cores e mostrou que o clássico está realmente de volta e renovado.
No segundo ato veio a moda mais tecnológica. Estampas manchadas em blusas amplas de capuz em tons de cinza e preto deixam o homem de Fraga mais solto. As calças justas em malha e os casacos em jeans mais longos deixam eles mais gostosos. Tudo se encaixa na moda do estilista mineiro convidado. Ele sabe valorizar o que houve de bom na moda e sabe que ainda há muita coisa boa para ser inventada. Ponto para ele.
SERVIÇO:
n Desfilam hoje: Jum Nakao (estilista convidado) às 19 horas e Pin às 21 horas. III Curitiba Fashion Art, de 8 a 12 de março de 2004, a partir das 18h30. Local: Centro de Exposições Horácio Sabino de Coimbra - Fiep, na Avenida das Torres.


