DivulgaçãoBureau Girault TotemA moda masculina roubou a cena na 46ª edição da Fenit - Feira Internacional da Indústria Têxtil - que terminou ontem em São Paulo. Tanto na programação dos desfiles como nos lançamentos literários (que aconteceram paralelamente ao evento) os homens foram destaque.
Dois títulos prometem aquecer o mercado editorial, com temas que vão da moda à sexualidade, da beleza ao novo papel do homem na sociedade. ‘‘Homens’’ (Editora Senac, 168 págs), organizado pelo sociólogo Dario Caldas, tem textos de Roberto DaMatta, Sócrates Nolasco, Mara Barasch, Otávio Roberti Macedo, João Silvério Trevisan, Fernando de Barros e Mário Queirós. Mais específico, o livro ‘‘Elegância - Como o Homem Deve se Vestir’’ (Negócio Editora, 164 págs), de Fernando de Barros, jornalista e editor da revista Playboy, é um manual de moda masculina, indispensável para os que se confundem na hora de combinar camisa e gravata e para os que acham que elegância é sinônimo de roupas caras.
DivulgaçãoShirtology
Na passarela, os efeitos da globalização - principal característica da feira esse ano - puderam ser vistos de perto pelo público que lotou a sala de desfiles. Um dos mais concorridos foi o do French Menswear Federation, entidade que desempenha o papel de promover a moda francesa no mundo. Sete estilistas da nova safra de criadores mostraram suas coleções outono-inverno 97/98, apresentadas em Paris há três meses: Daniel Faret, Eric Bergere, Jérome L‘Huillier, José Levy à Paris, Laurent Fuchs, Thibault Van der Straete e Udo Edling.
Lãs encorpadas, casacos 7/8, veludos e a padronagem risca de giz foram consenso. O xadrez apareceu em calças e blazers e as blusas de gola rolê coloridas complementavam o look eleito pelos experts para enfrentar com elegância as baixas temperaturas. A monocromia nos ternos também marcou presença, provando não ser apenas um modismo passageiro, mas uma opção a ser considerada. A cartela de cores é neutra, com predominância dos tons marrom, camelo, cinza, bege, marinho e vinho.
Risos nervosos Os franceses não encerraram por aí a participação na Feira. De olho no mercado de moda brasileiro, que vem crescendo a olhos vistos, e em busca de parcerias comerciais, eles vieram em caravana mostrar o potencial criativo da França. O primeiro resultado dessa união é o filme ‘‘Uma História da Moda’’, produzido pelo cineasta Bernard Jannin e pela historiadora Florence Muller e inteiramente custeado pela Alcântara Machado Feiras e Promoções, realizadora da Fenit (leia texto abaixo) .
DivulgaçãoJum Nakao
Ainda entre as atrações internacionais, outro destaque foram os desfiles de novos estilistas e designers de nacionalidades diversas, representados mundialmente pelo bureau Girault Totem, responsável pela divulgação e pela imagem das marcas. Apesar de algumas boas propostas femininas, como o vestidão vermelho com saia ampla de matelassê, do japonês Yoshiki Hishinuma, e do babouche de silicone com aspecto derretido, da grife Oh! Ya?, o burburinho do dia ficou por conta da irreverente Shirtology (com pouco mais de um ano no mercado europeu e loja única em Portugal), que causou frisson no público feminino ao mostrar as infinitas possibilidades e assimetrias da sunga.
Desafiando o pudor masculino - um modelo chegou a desfilar com as mãos cobrindo as partes íntimas - a marca deu um show de humor e sensualidade, com direito a drag queen na passarela. Os looks sexy e apelativos mostrados no desfile provocaram risos nervosos nos machos da platéia, mas deixaram no ar um convite à reflexão. Afinal de contas, por que os artifícios da moda no jogo da sedução são exclusividade das mulheres?
Recortes e lastex Sensualidade também foi a tônica do desfile de Jeziel de Moraes dentro do grupo de Criadores nacionais, composto por Carla Fincato, Elisa Steca, Estela Alcântara, Jum Nakao, Lorenzo Merlino, Marcelo Sommer, Mario Queirós, Martielo Toledo e Nino Gouveia, que apresentaram suas coleções para a primavera-verão 97/98. Recortes geométricos, zíperes e o apelo ao aspecto franzido se destacaram nas propostas das grifes.
Jeziel só mostrou a linha masculina, abusando de recursos diferenciados para construir uma estética homoerótica, com looks criados a partir de uniformes militares e inspirados na obra do artista Tom of Finland. Zíperes em fendas superindiscretas e tecidos transparentes revelavam muito mais do que silhueta e músculos.
Sempre vanguardista, Jum Nakao - revelação do Phytoervas Fashion de 96 e atual estilista da linha masculina da Zoomp - apostou nas estampas de flores masculinas, como o copo-de-leite, em calças tipo samurai e nas sandálias de tiras com plataforma. Marcelo Sommer colocou na passarela sua moda deliciosamente streetwear, com camisetas listradas, jeans bruto, saias de babadinhos e calça masculina mais curta, arrematando os looks com tênis all star .
Carla Fincato criou uma coleção cheia de efeitos especiais e uma pitada de sadomasoquismo para a sua marca Carlota Joaquina. Sua maior ‘‘sacada’’ foi colocar zíper na perna da calça - quando aberto, ela fica mais larga; é só fechá-lo e a calça se transforma num modelo mais justo. Destaque também para os morcegos pretos estampados no tecido cor de pele transparente.
O mineiro Martielo Toledo, estilista da marca Salve Rainha, deu um acabamento diferenciado ao lastex e abusou dos recortes geométricos que deixaram os quadris e o bumbum à vista, misturando biquínis e lingerie. Estela Âlcantara mostrou vestidos de lastex estampados, tops psicodélicos e calças com boca levemente evasé. Bijoux indianas completavam a estética anos 70. Destaque ainda para o corselet de renda vermelha e preta, de Caio Giobbi e para as plataformas altíssimas em jeans mostradas no desfile de Elisa Stecca.

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