Curitiba - Moda em alto padrão. Acabamentos perfeitos. Formas e sobreposições. Um nome consolidado. Jum Nakao, estilista convidado a participar do Curitiba Fashion Art (CFA), deu uma aula de como é ser estilista no Brasil, na noite de quinta-feira, penúltima da temporada de desfiles que mostrou as criações de estilistas paranaenses.
  A apresentação de Jum foi a mesma do São Paulo Fashion Week (SPFW). Ele trocava a roupa das modelos na passarela. Na primeira parte vestidos de tecido bem leve e transparente com estampas geométricas, listras e flores.
  Na segunda a alfaiataria impecável masculina, um grande mercado de Jum. A funcionalidade esteve presente em transformações. Uma mochila vira casaco. A melhor coisa? A perfeição do corte. A certeza de que suas roupas são investimentos.
  Depois da apresentação de Jum veio a estreante Pin. O desfile mais concorrido do evento. Com o fator sorte correndo a seu favor, a grife idealizada por Elon Marcos, um dos proprietários da malharia Resulthado, contou com a presença de Débora Secco na platéia. Ao lado dela outro chamariz forte: Felipe Barahona, executivo da Vivo, patrocinadora do evento.
  Na passarela a Era do Rádio. As divas Emilinha Borba e Carmen Miranda foram homenageadas com uma malharia mais chique. Cores bem clarinhas como o rosa-bebê em vestidos com a parte de baixo plissada. Leggins de lurex combinadas com maxipulls. Casacos mais compridos de um tricô pesado. Roupa para usar. Peças que faltavam no mercado.
  A parte masculina trouxe uma proposta colorida. Eles podem usar o rosa-bebê ou ainda cores mais pesadas como o verde um pouco mais escuro desmaiado do que o bandeira. O jaquard de tricô das calças arrancou suspiros de alguns homens que estavam assistindo o desfile. Tanto a estampa que lembrava teclas de piano quanto às que faziam referência aos arabescos usados nos tecidos do fundo dos rádios sustentaram sutilmente o tema da coleção. Nada pesado. Coisa de quem sabe fazer moda. Observa. Elon Marcos tem a seu favor anos de experiência no ramo e um passaporte bem carimbado por viagens internacionais em busca de referências mundiais.
  Na noite de quarta-feira apresentaram suas coleções Enesoe Chan e Alcione Gabardo Júnior da Sexxes. Uma evolução clara no trabalho dos dois estilistas com características completamente distintas, mas com a mesma paixão: fazer roupas com conceito, porém comerciais.
  A primeira parte foi dedicada ao tema ‘‘Seqüelas’’ mote que veio à cabeça de Enesoe Chan durante uma visita ao Museu do Expedicionário, em Curitiba. Lá, em meio a um vasto material sobre a Segunda Guerra, Chan avistou uma foto de um militar tirada na Itália. Na legenda da imagem eternizada uma informação contumaz: o rapaz foi morto numa emboscada, horas depois de tirar a foto.
  Daí a informação que sensibilizou o estilista para criar sua proposta para o outono-inverno 2004.
  Na passarela peças como calças com bolsos traseiros em patchwork combinadas com camisas em excelente alfaiataria deram alegria ao momento ‘‘de reflexão’’ do estilista.
  Uma característica bastante forte do trabalho dele são as nervuras artesanais na camisaria. Dá para dizer que Chan é um excelente costureiro (sim, porque antigamente estilista era costureiro e isso não denegria imagem de ninguém).
  A cartela de cores acrescentou cara de inverno às peças. Matizes de lilás, bordô e roxo e ainda o preto e o vermelho. A dramaticidade ficou por conta dos primeiros momentos da apresentação. Ainda bem. Chan terminou seu desfile feliz fazendo com as mãos o gesto de paz. E foi aplaudido por parte da platéia de pé.
  Com um dos desfiles mais assistidos durante a temporada curitibana de moda (para muitas adolescentes ter uma roupa Sexxes é tudo e elas estavam lá de pastinha do colégio Dom Bosco embaixo do braço tentando chegar perto do estilista Júnior).
  Um pouco mais fashion do que o normal, Júnior foi para os caminhos da dança com uma coleção que, em algumas estampas, se influencia com o psicodelismo da década de 60 mostrada ao mundo através do trabalho de Emílio Pucci. Guardadas as devidas proporções, é claro.
  A Sexxes abriu o desfile com bailarinos na passarela. Eles carregavam lanternas nas mãos. A grife quer visibilidade em meio a escuridão que a indústria da moda sofre com a falta de dinheiro no mercado. Isso é claro. E Junior é, além de um criador, um profissional que quer ver o dinheiro rodar. Por isso pulverizou sua marca, fazendo muita gente lhe torcer o nariz ao montar lojas em shoppings chiques e populares da cidade com a mesma mercadoria nas prateleiras.
  Voltando ao desfile as cores alegres (foram 13 tonalidades trabalhadas) fizeram um colorido bonito. As modelagens das saias curtíssimas e das blusas recortadas com ombros à mostra deram um pouco mais de sensualidade à garota que Júnior quer seduzir. Pareceu que sua mulheres estão um pouco mais sexys.
  Na parte masculina nada de muito novo. Boas camisas e os já conhecidos jeans da grife complementaram a coleção.
  O CFA encerrou ontem à noite com os desfiles de Ronaldo Fraga (estilista convidado), Korr e Sista.

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