Nelson Sato
de Londrina
Qual é, afinal de contas, o ‘‘recado’’ de Daúde? Depois de uma estréia promissora e um segundo álbum oscilante, a cantora que nasceu em Salvador e cresceu no Rio quer agora ser acolhida pelos clubbers.
Em ‘‘Simbora’’, seu novo CD, ela rende-se à voga do remix apresentando 14 versões de faixas já – com uma única exceção – gravadas nos dois discos anteriores. Para o projeto, convocou produtores de renome: os brasileiros Dudu Marote, Bid, Carlos Trilha, Fernando Morello e Tuta Aquino; além do sérvio Suba e o inglês Will Mowat (do grupo Soul II Soul).
O disco é a terceira tentativa do selo Natasha de emplacar a cantora, que ainda não alcançou o grande público, mesmo tendo cantado ‘‘Pata Pata’’ (regravação do sucesso da sul-africana Mirian Makeba) em todos os programas popularescos de auditório da TV nos dois últimos anos. ‘‘Mas isso está mudando. Até pouco tempo, ninguém sabia meu nome. Agora sou abordada na rua por camelôs’’ – brinca ela, em entrevista por telefone.
Aos 37 anos, Daúde hoje não faz muita questão de lembrar a época em que se dividia entre a música e o teatro, quando chegou até a fazer um papel na novela ‘‘Fera Radical’’, na Globo. De lá para cá, investiu na carreira de cantora e já há quatro anos faz temporadas de shows pela Europa, onde seus discos são distribuídos pelo selo alemão Milan Music.
O novo trabalho, segundo ela, é direcionado às pistas. Com sua adesão, o remix amplia a lista de simpatizantes estabelecendo-se no mercado fonográfico brasileiro com uma nova característica: em vez de identificar apenas as versões distribuídas em rádio, usadas geralmente como singles promocionais de uma determinada música, o formato passou a preencher álbuns inteiros dos artistas.
A prática se dissemina. Já foi adotada por Fernanda Abreu, Ed Motta, Kid Abelha, Marina, Capital Inicial, Biquini Cavadão e recentemente Cidade Negra. Até Cazuza teve sua obra revisitada e recriada com batidas dançantes. Mas nem todos acertaram na escolha dos produtores. No caso de Daúde, nem todos os seus colaboradores acertaram a mão, tornando muitas reinterpretações alvos fáceis de críticas e chacotas alheias, o que é comum no meio da música eletrônica.
Mas algumas releituras empolgam, caso por exemplo de ‘‘Marinheiro Só’’, manipulado por Suba. Foi a única faixa em que Daúde teve que gravar novas vozes (na verdade, vocalises) em cima da canção original. Também ficou bacana a roupagem retrô-chique conferida por Carlos Trilha e Fernando Morello a ‘‘Vênus’’, que recebeu três versões no disco.
Essa música, aliás, é a única inédita do CD. Foi composta por Daúde em parceria com Cris Braun para o mega hit do grupo holandês Shocking Blue. O repertório inclui ainda, só para citar, ‘‘Vamos Fugir’’ (de Gilberto Gil, e aqui com participação de Djavan), ‘‘Objeto Não-Identificado’’ (de Caetano Veloso, transformada num drum’n’bass pontuado por cítaras) e ‘‘Sarambᒒ (com participação de Nelson Sargento, numa versão alongada e enjoativa).A cantora Daúde está lançando um CD com versões dançantes de suas músicas
DivulgaçãoDaúde transitou entre música e teatro, e chegou a fazer um papel na novela ‘‘Fera Radical’’, na GloboReproduçãoNovo CD traz versões de músicas dos dois discos assinadas pelos produtores Dudu Marote, Will Mowat, Bid, Carlos Trilha, Suba, Fernando Morello e Tuta Aquino

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