Na onda do cinema



Julia Lemmertz está no
elenco de quatro novas
produções do cinema nacional
Rodrigo Teixeira



Cult Press
Luiza Dantas/Carta ZNotíciasJulia
Lemmertz:
novos
personagens
devem
estar
nas telas
dos
cinemas
até o
segundo
semestre



Longe das maçantes gravações das novelas da Globo, Julia Lemmertz se entrega àquilo que gosta: cinema. Após 11 meses entediantes na pele de Fabiana, da novela ‘‘Zazᒒ, a atriz aproveita para viver personagens diversas, como uma jornalista, uma publicitária, uma estrela de cinema e até mesmo a esposa de um herói brasileiro. Recém-saída do set de ‘‘Um Copo de Cólera’’, de Aluizio Abranches, Julia finalizou a participação em mais três filmes: ‘‘Até que a Vida nos Separe’’, ‘‘A Hora Mágica’’ e ‘‘Tiradentes’’. ‘‘O ideal seria fazer cinema e teatro. Televisão, só o que quisesse’’, sonha a atriz de 34 anos e contratada da Globo até 2001.
Entusiasmada com as personagens que devem estar nas telas dos cinemas até o segundo semestre, a atriz vibra especialmente com a parceria dela e o marido Alexandre Borges nos filmes ‘‘Um Copo de Cólera’’, baseado no livro de Raduan Nassar, e ‘‘Até Que a Vida nos Separe’’, de José Zaragoza. Enquanto vivem um relacionamento problemático no longa de Zaragoza, no filme de Aluizio Abranches o casal interpreta uma jornalista e um intelectual embrenhados num intenso caso amoroso regado a discussão e muito sexo. ‘‘Ensaiamos bastante o texto e as cenas de sexo fizemos como uma coreografia’’, afirma Julia, que mesmo com o marido, sentiu dificuldade nas cenas mais ousadas. ‘‘Mas o importante é não ficar envergonhada’’, assegura Julia, casada há cinco anos.
Sem a ótica urbana de ‘‘Até que a Vida nos Separe’’ ou o clima anos 50 de ‘‘A Hora Mágica’’, de Guilherme de Almeida Prado, ‘‘Um Copo de Cólera’’ é apontado pela atriz como o mais difícil dos atuais trabalhos. Com os diálogos seguindo a risca o denso livro de Raduan Nassar, o filme teve o baixo orçamento de R$ 800 mil, contou apenas com dois atores e uma locação única: um sítio escondido em Vargem Grande, no Rio. ‘‘‘Um Copo de Cólera’ é para um público intelectual. Mas pode surpreender por se basear na história de um casal’’, arrisca. Na dúvida, Julia e Alexandre resolveram entrar como produtores associados de Aluizio Abranches. O objetivo é conseguir recursos para finalizar o filme. ‘‘Também corremos atrás de dinheiro. Mas compensa, pois é a nossa cara que está na tela’’, explica.
Já no filme de Guilherme de Almeida Prado - orçado em mais de R$ 2 milhões - Julia se preocupou apenas em atuar. Enquanto buscou na memória a lembrança do grupo de amigos solitários que tinha em São Paulo para compor a personagem Maria em ‘‘Até que a Vida nos Separe’’, o longa ‘‘A Hora Mágica’’ proporcionou uma experiência mais enriquecedora para Julia como atriz. ‘‘Fiquei na mão do diretor e adorei. É o filme mais ficcional dos quatro’’, compara Julia. A atriz garante que o detalhismo de Guilherme de Almeida Prado foi essencial para compor a sonhadora Lúcia. ‘‘Ela é uma moça apaixonada pelas vozes dos locutores de rádio’’, descreve.
Mas se a atriz teve que soltar a imaginação para fazer ‘‘A Hora Mágica’’ - o título se refere ao último instante em que a câmera consegue captar a luz do dia - em ‘‘Tiradentes’’, de Oswaldo Caldeira, Julia se baseou em fatos reais. A atriz viveu a misteriosa Antônia Filho, esposa de Tiradentes, interpretado por Humberto Martins. ‘‘Ela se cansa do Tiradentes nunca aparecer e se separa. É uma mulher moderníssima para a época’’, analisa Julia. Apaixonada por personagens históricos, seja na tevê ou no cinema, a atriz sempre aceita convites para trabalhos de época. ‘‘Quando fiz ‘Amazônia’, na Manchete, fiquei oito meses de espartilho. Todas as atrizes não aguentavam mais, menos eu’’, lembra a atriz, que não esconde a vontade de participar de ‘‘Alto da Serra’’, novela da Globo escrita por Marcílio Moraes, que vai contar o romance entre uma republicana e um monarquista no final do Século XIX.
Embora no cinema a atriz escolha os papéis que lhe agradam, na tevê esta possibilidade é um sonho. ‘‘Tenho que aceitar os pedidos da Globo. Esta obrigatoriedade de ficar disponível é que incomoda na tev꒒, reclama Julia. Apesar de se dizer privilegiada por ter um contrato com a emissora de Roberto Marinho, a atriz lembra que fazer cinema hoje no Brasil está sendo até mais compensador financeiramente que a tevê. ‘‘Apesar do trabalho ser mais meticuloso no cinema, o salário compensa, porque não é tão demorado e estressante como uma novela’’, compara.

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