Na Moral volta ao ar apelando para a diversão
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quarta-feira, 09 de julho de 2014
Geraldo Bessa<br>TV Press 
Todos os programas da linha de shows da Globo parecem seguir pelo mesmo caminho: uma produção de debates, com auditório e recheada de convidados do primeiro time da casa. É nesse nicho que se enquadram "Altas Horas", "Encontro Com Fátima Bernardes", "Amor & Sexo" e o "Na Moral", que acaba de estrear sua terceira temporada. O que dá "liga" a todas esses programas dentro da grade da emissora é o tom cada vez mais popularesco com que os diretores passaram a conceber tais formatos e discussões. Não importa a relevância ou seriedade do assunto, seja racismo ou nacionalismo, a Globo vai tratá-lo de forma carnavalesca e pretensamente leve.
No caso do "Na Moral", o resultado é simpático e extremamente mais festivo do que a "folia" já demonstrada nas temporadas passadas. Tudo seria perfeito se o programa não se levasse a sério demais, como o "Amor & Sexo". Mas, sem surpresas, a discussão em si continua rasa e com pontos de vistas que parecem ensaiados. Tudo como se fosse para criar uma coesão dentro de cada temática, o que transforma o programa em uma cordial roda de amigos. Isso faz com que o debate proposto pelo cada vez mais "cronista" Pedro Bial soe unilateral e sem grandes surpresas. Em tom quase teatral, o apresentador parece querer mesmo escorar seu programa na mistura entre entretenimento e jornalismo. Mas fica no meio do caminho em ambos os setores. Como formador de opinião que almeja ser, falta-lhe coragem e densidade. Afinal, quando informa, é didático demais. Quando entretém, exagera nas doses de confetes e serpentinas.
O que sobra é o esmero da produção em fazer um produto bem acabado do ponto de vista estético. Embora os 35 minutos de duração sejam insuficientes para discussões mais amplas, o programa fica até bem "redondo", mesmo tendo de passar por alguns cortes mais bruscos de edição. Na busca por personagens interessantes para entremear e exemplificar casos que tenham a ver com o tema de cada dia, é perceptível a procura por pessoas interessantes e que tenham o que dizer no programa. Como Mariana Barros, consultora intercultural. Disposto a repercutir assuntos, mas sem querer se comprometer, Bial foca no comportamental. No todo, "Na Moral" segue sua sina em ser "chapa branca" e não aproveita a liberdade de seu horário de exibição.


