Tramas policiais envolvendo mocinhos e mafiosos são recorrentes no passado recente da Record. Basta lembrar de "A Lei e O Crime", de Marcílio Moraes, ou "Poder Paralelo", de Lauro César Muniz. E, de acordo com as principais histórias de "Pecado Mortal", parece que a emissora volta a investir com força total nesse "filão". Só que agora sob a assinatura não menos "luxuosa" de Carlos Lombardi, que encara seu primeiro trabalho na Record depois de 30 anos de serviços prestados à Globo – onde estava na "geladeira" desde 2007.
"Queria muito voltar ao trabalho. Sugeri vários projetos e sinopses, mas nada era aprovado. Meu contrato iria acabar e surgiu a oportunidade de vir para a Record. Tive total liberdade de criação e bom entendimento com a direção da casa", garante Lombardi.
A inspiração do autor nasce justamente dos problemas retratados nas novelas citadas: a contravenção do jogo do bicho e a guerra provocada pelo tráfico de drogas. No entanto, a abordagem é focada na origem do crime organizado.
Para dissecar toda o tema, após um prólogo passado nos anos 1940, a novela é ambientada em meados da década de 1970. "A Record nunca tinha feito nada que se passasse nesses períodos. Por isso, o processo de pré-produção foi intenso e trabalhoso. Tivemos de escolher locações especiais e começar tudo do zero", detalha Alexandre Avancini, diretor-geral da trama.
Velhos conhecidos da época em que ambos estavam na Globo – trabalharam juntos em sucessos como "Uga Uga" e "Kubanacan" –, Avancini e Lombardi tiveram à disposição um orçamento pouco visto na Record, mesmo em tempos de crise e demissões em vários setores da emissora. O custo por capítulo de "Pecado Mortal" está em cerca de R$ 500 mil. "O investimento se justifica pela aposta da emissora nessa estreia do Lombardi na casa. A história tem ingredientes certeiros para conquistar a audiência que temos e conquistar outros públicos", exalta Anderson Souza, diretor de teledramaturgia.
Captada com as supercâmaras Arri Alexa, a nova novela capricha nas doses de romance, melodrama e ação. E também não deixa de fora os habituais "descamisados" já vistos em outras tramas do autor. No entanto, valendo-se do horário de exibição, às 22h30, Lombardi também promete despir boa parte de seu elenco feminino. "Agora que todo mundo me copia, vou investir sem receios na beleza das mulheres da minha novela", gaba-se.

Trama
O ponto de partida de "Pecado Mortal" é o triângulo amoroso formado por Michelle, Donana e Estela, papéis de Henrique Guimarães, Maytê Piragibe e Marcela Barrozo na primeira fase e vividos por Luiz Guilherme, Jussara Freire e Betty Lago na segunda.
Michelle foge da Europa em guerra e fixa-se no Brasil, onde, posteriormente, assume todo o esquema do jogo do bicho da Zona Sul carioca. Na luta pelo amor do criminoso, Donana sai na frente e se casa com ele. No entanto, Stella, a amante, está grávida. Ao descobrir a vida dupla do marido, Donana ameaça a amante de morte e a obriga a entregar os dois filhos que teve com Michelle. "A Stella volta com sede de vingança e quer resgatar seus filhos", conta Betty Lago.
Já nos anos 1970, entram em cena "hippies", policiais corruptos, contraventores, oficiais de justiça, carnavalescos e outros perfis coerentes com a época. Entre os tipos, a promotora Patrícia, de Simone Spoladore, e o "riponga" Carlão, de Fernando Pavão, vivem a história de amor central da trama. "Eles são o contraponto um do outro. É um romance quente e ousado. Bem no estilo ‘Lombardi’", empolga-se Spoladore.

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