Vamos ao óbvio. A imensa maioria dos lançamentos internacionais das grandes gravadoras se constitui de lixo descartável, com as exceções de praxe confirmando a lei imutável do mercado.
Curiosamente porém, e por misteriosas razões, alguns trabalhos surpreendem caindo como ‘‘ETs’’ nas prateleiras das lojas. É o caso do CD Duality (4AD/Warner), que roça a fronteira entre o pop e o erudito reunindo em projeto paralelo a vocalista e compositora Lisa Gerrard e o percussionista e engenheiro de som Pieter Bourke.
Calcado nos vocalizes melancólicos de Lisa, o material remete aos discos conceituais da americana Meredith Monk. Lisa faz parte da banda australiana Dead Can Dance, para a qual Pieter colaborou como músico de estúdio nas gravações do álbum Spiritchaser. Ele também tocou percussão na turnê mundial que promoveu o álbum-solo de Lisa The Mirror Pool, lançado em 95. Integrou ainda bandas desconhecidas do grande público como Eden, Snog e Soma.
ReproduçãoLisa e Peter circulam fora do ‘‘mundinho’’ pop alheios a tendências de temporada e modismos de estação. Integram um seleto grupo de artistas que prefere a pesquisa sonora aos apelos do mercado. Nos anos 80, suas incursões musicais eram rotuladas de ‘‘etéreas’’. Hoje, as etiquetas variam entre ‘‘world music’’ e ‘‘new age’’.
A nova empreitada da dupla reitera a sonoridade que arrebanhou seguidores do Dead Can Dance em todo o mundo combinando pop, música antiga, cânticos religiosos e canções folclóricas de países remotos.

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