Na foto oficial, o resgate da história do Brasil
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segunda-feira, 26 de março de 2007
Katia Michelle<br> Equipe da Folha 
Curitiba - É o tipo de imagem que integra o imaginário de muita gente: uma criança sentada em frente a uma carteira escolar com uma bandeira do Brasil ao lado. Dez entre dez pessoas com mais de 30 anos que estudaram em escolas públicas ou privadas tem esta fotografia ''oficial''. Essa criança ganhou voz no espetáculo ''O incrível menino na fotografia'' que tem estréia nacional hoje, no Festival de Teatro de Curitiba.
Dirigido pelo escritor, cineasta e dramaturgo Fernando Bonassi, o monólogo tem atuação de Eucir de Souza. Ele interpreta o garoto que ficou ''congelado na fotografia, esperando as promessas que fizeram para ele'', conta Bonassi.
A peça foi escrita pensando exatamente nessas promessas, numa inspiração autobiográfica. ''Eu tenho duas fotos assim. Um feita em 1970 e outra em 1973. Olhando para aqueles retratos escrevi um texto sobre a condição dessas crianças e o que aconteceu com o País desde então'', revela o diretor.
Na montagem ele resgata os períodos políticos importantes na história recente do Brasil e o reflexo desse histórico na sociedade. ''Essa idéia vinha me acompanhando há algum tempo, até que finalmente deu certo. Ganhamos o Prêmio Miriam Muniz, da Funarte, para produzir o espetáculo''.
Essa não é a primeira vez que Fernando Bonassi assina a direção de um espetáculo. O autor de livros como ''Um Céu de estrelas'' (Siciliano) e ''O amor é uma dor feliz'' (Moderna) e co-roteirista dos filmes '' Os Matadores'' e ''Estação Carandiru'' tem no currículo montagens que foram verdadeiros divisores de água no cenário teatral nacional, como ''Apocalipse 1,11'', mas essa é a primeira vez que ele dirige um monólogo.
Bonassi, no entanto, refuta o cargo. ''A função do diretor só existe porque os atores não covardes e incultos'', fala. Souza, que já trabalhou outras vezes com Bonassi, emenda: ''Ele não está falando isso de todos'', brinca.
Para Souza, Bonassi tem um modo peculiar de dirigir atores, mas que é reflexo de uma mudança que já vem acontecendo há algum tempo no teatro. ''A gente se acostumou a confundir direção com poder'', comenta. No caso da direção de Bonassi para ''O incrível menino na fotografia'', a concepção cênica ganhou colaboração de Daniela Garcia, Davi de Brito; Marcelo Pelegrini; Marlene Salgado; Vivien Buckup e do próprio ator.
Integram a grade oficial hoje, além de ''O incrível menino da Fotografia'' ; no Teatro Paiol; ''A Hora e a vez do Augusto Matraga'', no Teatro da Reitoria;''Zona de Guerra'', no Espaço Barracão; ''Mamãe foi por Alaska - True West'' no Sesc da Esquina e o musical ''Sassaricando'', no Guairão.
SERVIÇO:
Mostra Oficial do Festival de Teatro de Curitiba. Os espetáculos acontecem sempre às 20h30. Ingressos a R$ 26,00.


