Mauro FrassonFila de artistas e produtores culturais em frente à Prefeitura de Curitiba: para protocolar projetos na segunda-feira eles enfrentam o frio desde anteontemAtores, artistas plásticos, produtores, músicos, enfim, empreendedores culturais, estão desde a tarde de quinta-feira passando dia, noite e madrugada em frente à Prefeitura de Curitiba. Um grande encontro cultural? Nada disso. Eles estão tentando se organizar para protocolar seus projetos culturais concorrentes aos benefícios da Lei Municipal de Incentivos Fiscais à Cultura. O protocolo só começa às 8 horas de segunda-feira e o frio não assusta ninguém.
Mauro FrassonO primeiro da fila, Guilherme Weber, vai protocolar 35 projetos. A falta de limite gerou polêmica entre os produtores culturais
Ontem, ao meio-dia, a lista organizada informalmente tinha 110 nomes, mas não necessariamente o mesmo de número de projetos, que deve ser bem maior. O primeiro da fila, ontem pela manhã, o premiado ator Guilherme Weber, representa ‘‘um pólo de produtores, com 35 projetos’’. ‘‘Nós estamos nos revezando na fila. A maioria não concorda com a falta de limite no número de projetos a serem entregues, mas nós nos organizamos de acordo com a lei’’, argumenta. O grupo fazia um revezamento. Antes de Weber, na madrugada, esteve na fila a também premiada atriz Rosana Stavis e a produtora cultural Regina Vogue.
Mauro FrassonA produtora teatral Érica Migon, no grupo dos primeiros da fila, considera a disputa injusta: ‘‘a análise de mérito é fundamental’’, defende
O presidente do Sindicato dos Empresários e Produtores de Espetáculos de Diversão do Paraná, Danilo Avelleda, diz que o grande problema é o fato dos projetos não terem que passar por uma análise de mérito. ‘‘Serão julgados pela comissão de análise os currículos e os orçamentos apresentados, sem levar em conta a qualidade do projeto. Isso gerou uma grande corrida. Todos querem garantir a verba para seus projetos.’’
Desta forma, a confusão ficou armada, sem previsão de entendimento. Alguns produtores estavam pensando em impetrar um mandado de segurança para anular o edital. Outros alegam que durante as discussões tentaram mudar a legislação limitando o número de projetos, ou ainda, prefeririam que os projetos fossem enviados pelo Correio com data limite de postagem. Há também os que sugerem que a Prefeitura aumente a verba para que mais projetos sejam contemplados.
Mauro FrassonDanilo Avelleda, do Sindicato dos Empresários e Produtores de Espetáculos do Paraná: ‘‘acampamento de quatro dias não é bom para ninguém’’‘‘De qualquer forma, a situação é humilhante’’, queixou-se a produtora Regina Vogue. Mesmo estando no grupo do primeiro lugar da fila, ela reconhece que todos precisam da lei. ‘‘Esta é a primeira vez que tenho notícia de uma confusão dessas.’’
A única unanimidade entre os representantes culturais é o aspecto negativo de uma fila em frente à Prefeitura. ‘‘Isso é péssimo perante a população. Para a política cultural da cidade, um acampamento de quatro dias, numa fila com tanta gente discutindo e uns até brigando, não é bom para ninguém’’, afirmou Avelleda.
Não é dessa forma que o presidente da Comissão de Mecenato, Antônio Mileck, analisa a confusão na calçada da Prefeitura. ‘‘Acho que tem um aspecto positivo que deve ser considerado: a lei está tendo muito sucesso. Se fosse inócua não teria ninguém’’, afirma.
Ele argumenta que todos os aspectos da legislação foram discutidos exaustivamente durante seis meses, com representantes da classe artística e do município. ‘‘Não há como a Prefeitura intervir na fila. Seria oficializar o protocolo antecipadamente. Esperamos que a classe artística aja de maneira civilizada como o município fez quando abriu a discussão da lei’’, disse.

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