ReproduçãoEdimburgoA Escócia não se resume a uísque, pubs e ressacas. O charme de Edimburgo atrai 1 milhão de visitantes ao anoNa Escócia, faça como os escoceses. Vista saia e tome uísque. Se a adoção do kilt que ainda hoje envolve a cintura de muito marmanjo nas Highlands (Terras Altas) é uma possibilidade remota para brasileiros, o segundo hábito pode ser tomado ‘‘literalmente ’’, sem o menor esforço.
Assim que se desembarca em Glasgow, a cidade mais importante da Escócia depois de Edimburgo, por maior que tenha sido a quantidade de bebida alcoólica ingerida no avião não dá para esquecer dos destilados. Logo à frente do visitante surgem, ao vivo e em cores, as ‘‘fábricas’’ Balantines e J.B. E não se trata de efeito colateral. Essas são apenas duas entre as dezenas de destilarias que dão fama a esse pedaço do território do Reino Unido.
Galeria e Museu de Arte Kelvingrove, em Glasgow: cidade não tem a exuberância de Edimburgo, mas não lhe falta estiloAos consumidores compulsivos da ‘‘água da vida’’ (significado da palavra celta whisky) comercializada desde 1774, um aviso: diante das indústrias, não cometa a gafe de confundir as coisas. Não há outlets nem ponta de estoque de uísque. Aos leigos no assunto, uma dica para comprar uma marca de qualidade entre muitas de linhagem excelente: peça as marcas que têm a palavra glen como prefixo, caso do Glenturret. Guarde bem essas quatro letras e seu fígado lhe será eternamente grato. Só não vale pedir, depois de muitas doses, Glenn Miller, Glenn Close ...
Glasgow, assim como a Escócia, não se resume a uísque, pubs e ressacas. Glasgow significa ‘‘belo lugar verde’’. São 70 parques públicos para ecologista nenhum botar defeito. O problema é resistir ao desejo de sair rolando pela grama que de tão verde parece fake e de tão viçosa dá vontade de mastigar. A cidade ainda tem inúmeras alamedas, algumas delas ladeadas por pinheiros e carvalhos ou ‘‘tonéis vivos’’ para os fãs de um bom malte.
Outra descoberta proporcionada por uma viagem à Escócia é perceber que há um erro a ser reparado. Todo mundo fala que Edimburgo é linda e Glasgow, a irmã feia. Não é bem assim. A beleza da primeira é consenso, não há o que discutir. Mas comete-se uma injustiça com a segunda. Glasgow não tem a exuberância e a importância histórica de Edimburgo. Uma coisa, porém, que não lhe falta é estilo.
A distância entre Glasgow e Edimburgo é de 80 quilômetros. Uma viagem de trem leva 47 minutos e a passagem ida-e-volta custa 10 libras (saída a cada 15 minutos). No trajeto, não há como não reparar nas casinhas caiadas ’’ ou de pedras’’ com telhados escuros, quase todas com floreiras e cortinas brancas na janela. O traçado das bitolas atravessa um sem fim de bosques, iguais aos exibidos para o mundo em ‘‘Coração Valente’’, filme estrelado por Mel Gibson. Do trem, ou mesmo de uma estrada, é possível avistar ainda centenas de clones da ovelha Dolly. E dá-lhe Dolly por todo lado. Uma mais simpática do que a outra.
O charme de Edimburgo é imbatível. Conquista ao primeiro olhar. Com 500 mil habitantes, a cidade é dominada por um castelo do ano 900 d.C. O monumento histórico impõe-se do alto de uma colina, como se estivesse, soberbo em suas alturas, a observar os moradores em contínuo vaivém por ruas repletas de lojas. O castelo, no coração de Old Town e ao meio de uma sequência de casas medievais, é a atração número um de Edimburgo. Por ano, esse cartão-postal de pedra recebe 1 milhão de visitantes, muitos deles no verão, quando a cidade é sede de um dos mais importantes festivais do mundo.
Em clima de celebração, durante esse evento cultura e bebida dão as mãos e caminham lado a lado pelas ruas de Edimburgo. Notadamente pelas do bairro de East End, endereço dos cafés, pubs e discos mais agitados da cidade, onde todos se acabam de vez. Uma dica: para brindar, faça como os escoceses. Antes de levantar um drinque (e não a saia), diga slainte mhor pronuncia-se slangé vor e significa ‘‘boa saúde’’.

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