NA CONTRAMÃO POR OPÇÃO
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segunda-feira, 07 de agosto de 2000
Leandro Calixto TV Press 
A tevê comercial não seduz o apresentador Gastão Moreira. Antes de assinar contrato com a TV Cultura para apresentar o Musikaos, ele chegou a receber duas propostas vantajosas: uma para comandar na Band o sucessor do H e a outra para assumir um programa de games na Record. A Cultura é uma emissora que investe no conteúdo de sua programação e não tem cobrança de conquistar números elevados no Ibope, justifica Gastão. No ar há pouco mais de cinco meses e com uma média de dois pontos no Ibope, o Musikaos é a atração de todos os sábados às 19 horas na emissora educativa paulista, que tem sua programação transmitida em sinal aberto para o estado de São Paulo e com sinal codificado para os assinantes da TVA e Globosat em todo o Brasil. Além da Cultura, 14 outras emissoras educativas estaduais transmitem o programa de Gastão, que começou a carreira na tevê como VJ na MTV.
Na emissora musical, Gastão ficou por oito anos. Ele conta que ao chegar na Cultura encontrou uma filosofia parecida com os tempos em que começou a trabalhar na MTV. Na Cultura, a gente tem a liberdade de criar. Isto é muito estimulante para quem quer aprender e crescer na televisão, explica. Além de abrir espaço para novos talentos na área musical, o Musikaos recebe poetas, escritores, atores e universitários.
Em nenhum momento você pensou em aceitar o convite para trabalhar na Band ou na Record, onde seu trabalho teria um alcance maior de público, além de ser melhor remunerado?
Sou um profissional que não ligo para audiência, além de estar feliz com que ganho na Cultura. Quando trabalhava na MTV, a emissora também não ligava para audiência, e se preocupava com a qualidade. Tudo que faço, tanto na minha vida pessoal quanto na profissional, é por convicção. E a Cultura me dá a possibilidade de criar. De trazer coisas novas. Proposta que jamais seria aceita numa emissora comercial.
Quais foram as principais diferenças que você encontrou na Cultura em relação à MTV?
O maior conhecimento técnico dos profissionais. Mas o interessante da minha passagem pela MTV foi o fato de ter trabalhado numa emissora sem uma grande estrutura. A gente trabalhava no improviso. Não só eu, como todo mundo da casa, desde a direção até a equipe técnica. A gente tinha de ir descobrindo as coisas aos poucos. Era um veículo novo para todo mundo. No começo, a MTV era instalada numa sala. Tudo muito precário. Já na Cultura é diferente. As pessoas têm um conhecimento técnico. Posso consultar profissionais com mais de 20 anos de profissão. Desde o diretor até o câmara. Quando peguei uma estrutura como esta, disse: Que beleza. Aqui todo mundo realmente entende de televisão.
Na Cultura, você está tendo a mesma liberdade que tinha nos tempos da MTV?
Com certeza. E esta foi uma das razões que me motivou a ir para Cultura. Liberdade total para criação. O que acontecia comigo na MTV. Mas de uns tempos para cá, a MTV está mudando um pouco seu conceito. A programação da emissora se popularizou de uma forma absurda. O diferencial da MTV sempre foi a segmentação. Uma alternativa para quem gostava de rock e de outros gêneros.
Quando o Musikaos estreou, muita gente o comparou ao A Fábrica do Som, programa musical de grande sucesso na década de 80 na própria Cultura. Isto ajudou ou atrapalhou?
Foi prejudicial. A gente gravava no mesmo local e tinha o mesmo diretor. Tudo isto foi uma coincidência. Por isto, talvez tenha dado a impressão de que estávamos fazendo uma releitura do A Fábrica do Som, que reconheço que foi um programa importante no passado. Abriu espaço para muita gente nova também. Só que não tive nenhuma influência do programa. Já o Musikaos é um circo cultural. Abre espaço não só para os músicos como também para as mais diversas artes.
Você é formado na faculdade de Direito. Como virou apresentador de televisão?
Estava morando em Londres há mais de um ano e voltei ao Brasil para o casamento de minha irmã. Na mesma época, a MTV estava selecionando VJs. Fui fazer um teste sem grandes pretensões e estou até hoje no vídeo. Mas trabalhar como advogado também não era uma coisa que me fascinava. Até hoje penso assim.


