Na contramão do neoliberalismo
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 23 de fevereiro de 1999
Da Redação 
A queda de braço entre empresas e funcionários em sociedades de orientação neoliberal ganha um retrato pessimista com a obra A Banalização da Justiça Social, do psiquiatra francês Christophe Dejours, que a editora da Fundação Getúlio Vargas está lançando no Brasil.
O livro, que já vendeu cerca de 200 mil exemplares na França, traz uma análise das relações de trabalho que, segundo o autor, degringolaram na perda de conquistas sociais e gestões administrativas que colaboram para o aumento de disponibilidade e produtividade dos empregados.
Como resultado surgiu, na ótica de Dejours, um panorama de fortalecimento do sistema em detrimento da qualidade de vida, aumentando os riscos físicos e chegando até a ameaçar a integridade mental dos trabalhadores.
Essas críticas são contextualizadas em um cenário de aumento de desemprego, pouca remuneração e eliminação da carteira de trabalho, associadas a mecanismos que ignoram legislações trabalhistas, proporcionando, entre outros problemas, aumento de jornada.
ReproduçãoTodo esse quadro, para Christophe Dejours, traria uma série de consequências psicológicas que vão desde a depressão ao alcoolismo, sintomas decorrentes das pressões sofridas com ameaças de demissões. Dejours analisa também a inversão de valores resultantes da orientação neoliberal, onde, em nome de uma globalização, esse sistema torna-se um modelo a ser seguido.
O texto embasa as críticas em análises aprofundadas e aponta que esses problemas se estendem também aos desempregados. A Banalização da Justiça Social tem 160 páginas e será comercializado por R$ 21,00.


