Na contramão da história
PUBLICAÇÃO
domingo, 10 de junho de 2012
Caroline Borges <br> <br> TV Press 
Olívia Torres está acostumada a viver papeis românticos e engraçados na carreira, como a desajeitada Rita, de ''Malhação'', e a curiosa Priscila do filme ''Desenrola''. Mas, atualmente, a atriz se vê em uma situação diferente ao interpretar a revoltada Gabi, de ''Amor Eterno Amor''.
Aos 18 anos, Olívia diz não ter preferência na escolha de papeis, mas ressalta que há gêneros mais compatíveis com a sua personalidade. ''É uma quebra saudável e que deve acontecer. Você amadurece muito entre um personagem e outro. Eu gosto de tudo, mas talvez tenha mais facilidade na comédia, que é onde trabalhei mais'', afirma.
Na trama de Elizabeth Jhin, Gabi é uma adolescente insegura, que não compreende a mediunidade da irmã mais nova, Clara, vivida por Klara Castanho. Após a perda da mãe ainda muito jovem, a personagem criou uma barreira de proteção pessoal contra tudo que não está ao alcance de sua compreensão. ''Ela ficou muito agressiva porque foi a que mais sentiu a perda da mãe no ápice da adolescência'', explica.
Apesar do perfil revoltado e a pouca sensibilidade com as questões familiares, Olívia garante que sua personagem não flerta com a vilania. ''A Gabi é muito humana. Todo mundo passa por uma fase complicada. No começo da novela, as pessoas me falavam nas ruas que eu era chata, mas depois elas foram vendo os reais motivos da personagem'', aponta.
Atriz desde os seis anos, Olívia viu sua carreira tomar forma ao estrear no cinema como a protagonista da comédia romântica ''Desenrola'', aos 14 anos. ''Eu estava muito focada nesse trabalho em específico. Era algo que eu queria 100%'', lembra. Mesmo com a pouca idade, Olívia não se deixou levar pela pressão do papel de estreia. ''Se eu pensasse nisso, ia ficar louca. Só tomei consciência da dimensão do trabalho quando vi no cinema'', reflete a atriz, que logo após o filme foi chamada para um teste em ''Malhação''.
Filha de um produtor teatral, Olívia foi criada nos bastidores dos teatros e sempre acompanhava o pai durante os espetáculos. Diferentemente de muitas pessoas da sua idade, a atriz sempre esteve certa da profissão que queria seguir e começou a fazer diversos cursos de teatro, canto e dança. ''Nunca pensei em ser veterinária ou astronauta. Criei um carinho muito grande pela profissão. Tudo que tivesse arte envolvida eu queria fazer'', conta.
No segundo semestre deste ano, Olívia também poderá ser vista na cinebiografia do cantor Renato Russo, ''Somos Tão Jovens'', como a punk Gabi. A atriz tinha apenas dois anos de idade quando o líder da banda Legião Urbana morreu, em 1996. Mas, assim que soube do projeto, começou a pesquisar sobre a vida do cantor para participar do longa. ''Eu queria fazer parte desse filme. Não estava interessada no papel que ia pegar. Li muitos livros para entender o que estava acontecendo e o como foi a época em que o Renato viveu'', ressalta.
A relação com a música sempre esteve presente nos trabalhos de Olívia. Desde criança, a atriz fazia parte do coral da preparadora e diretora vocal Agnes Moço. No filme ''Desenrola'', a música final dos créditos é cantada pela própria atriz, que também já mostrou suas habilidades como cantora em ''Malhação'' e no filme ''Somos Tão Jovens''. ''Saber cantar é sempre um plus. Você sempre tem de ter o leque completo. No filme do Renato, a gente cantou ao vivo. Ninguém nunca tinha feito isso em cinema até hoje. Foi uma experiência única'', vibra.


