Em uma democracia, a morte de cada soldado é um evento público. Jornalista do ''Washington Post'' durante mais de 20 anos, Rick Atkinson acompanhou a busca e finalmente a localização do corpo de um sargento americano, encontrado em uma cova rasa ao sul de Bagdá, no Iraque. Era manhã de um sábado de abril de 2003 e Atkinson, consagrado historiador militar e ali na função de correspondente de guerra, notava que algo havia mudado ao se questionar sobre os motivos daquela morte. ''Todos percebíamos que o Iraque estava envolvido em uma luta perpétua. E que a vitória em uma guerra global contra o terrorismo significava, na melhor das hipóteses, conter o inimigo em vez de derrotá-lo, e que não haveria mais belos dias em paz convencional.'' Tal desilusão desliza com aspereza ao longo de ''Na Companhia de Soldados'' (tradução de Leo Oliveira, 322 págs., R$ 45), livro em que Atkinson narra os quase dois meses em que viveu a guerra ao lado de uma divisão do Exército americano, obra que a Bertrand Brasil está em fase de lançamento.
Trata-se de um lamento desalentador sobre os ideais perdidos dos EUA e das fronteiras desbravadas. ''Por quase dois meses (...) observei como a guerra é travada em uma era em que as guerras são pequenas, sequenciais, expedicionárias e sem-fim'', afirma ele, na introdução. ''Sempre acreditei que o estresse excessivo do combate é um grande revelador de personalidades, trazendo à tona traços elementares de um homem, da mesma maneira que um prisma disseca a luz revelando o seu espectro interno.''

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