Na Casa Mário Quintana, opções culturais para todos
Alexandre Sanches
De Porto Alegre
Passear por um museu, bibliotecas, discotecas, cinemas e teatros e, ao final do dia acompanhar o pôr-do-sol no Rio Guaíba em um bar, ouvindo uma boa música. Antes de voltar para casa, passar por uma livraria. E se tudo isso estiver reunido num único local, melhor ainda.
A Casa de Cultura Mário Quintana, em Porto Alegre, reúne tudo isso e um pouco mais. O prédio do antigo Memorial Hotel Majestic, onde o poeta morou de 1968 a 1980, foi totalmente remodelado e reinaugurado em 1990 como Casa de Cultura. Dividido em duas alas a parte oeste foi construída em 1918 e a leste concluída em 1928 , o prédio abriga opções culturais para todos os gostos.
Mesmo com a remodelação, a fachada não foi modificada. A frente da Casa de Cultura fica na Rua dos Andradas, centro de Porto Alegre, com os fundos para a Rua 7 de Setembro, com o mesmo encanto. Na parte térrea funcionam uma biblioteca e um bar, com as mesas estratégicamente colocadas no meio da rua entre as alas.
Junto da recepção fica um museu que guarda objetos e documentos do antigo hotel. O Majestic foi um dos mais mais chiques hotéis de Porto Alegre e nos áureos tempos (principalmente nas décadas de 30 e 40) mantinha constantemente ocupados os seus 300 quartos.
No segundo andar está o Museu Mário Quintana, poeta gaúcho que morreu em maio de 1994. O acervo reúne documentos, objetos, livros, fotos e manuscritos, que dividem espaço com cartazes e banners de poemas e fragmentos de obras do escritor. Quintana, que passou a morar no hotel já no período da decadência do Majestic, foi um dos últimos a deixar o prédio, quando já estava com sua estrutura comprometida. Ele só deixou o prédio porque o governo do Estado do Rio Grande do Sul o obrigou a sair, transformando o local em uma repartição pública levando dez anos na sua remodelação e reestruturação. Depois do Majestic, o poeta morou ainda em outros três hotéis, até que o ex-jogador de futebol Paulo Roberto Falcão cedeu um imóvel para ele morar até a sua morte.
Com o apoio da Fundação Unibanco foi possível distribuir nos seis andares do antigo hotel, um cinema, teatro e várias salas para exposições de artes. A discoteca da Casa de Cultura é considerada uma das mais completas do Brasil, com verdadeiras raridades que vão de publicações em discos de 48 rotações até os CDs. A biblioteca e a ludoteca são muito procuradas por adultos e crianças.
No campanário do Hotel Majestic, voltado para a Rua 7 de Setembro, fica um bar. Ali o visitante pode apreciar desde um café colonial até destilados, ouvindo uma boa música. No final da tarde é possível acompanhar o pôr-do-sol sobre o Guaíba, formando uma bela paisagem. O funcionamento do bar entra pela madrugada, com rodízio de músicos que tocam desde MPB a jazz.





