Na cama com Woody Allen
NA CAMA COM WOODY ALLEN
Documentário revela intimidades do relacionamento do cineasta com Soon-Yi Previn
Guto Barra
Planet Pop/AE
Arquivo Folha
Woody
Allen
e Soon-Yi
Previn,
ano
passado,
em VenezaWoody Allen, um dos mais reclusos nomes do cinema, resolveu abrir as portas de sua intimidade. O diretor é o assunto do documentário Wild Man Blues, que revela os bastidores de uma turnê européia no ano passado ao lado de seu grupo de jazz. Dirigido por Barbara Kopple, o filme vem chamando atenção principalmente por mostrar pela primeira vez o dia-a-dia do relacionamento dele com Soon-Yi Previn.
Wild Man Blues é uma espécie de Na Cama com Madonna do jazz. A diretora colocou como condição para realizar o projeto a total autonomia criativa e o acesso completo a todas as atividades do casal durante a turnê. Allen e Soon-Yi usaram microfones sem fio presos em suas roupas durante os 23 dias de shows em 18 cidades. Assim, o que se vê é uma compilação dos principais momentos da vida dos dois, que se casaram no fim do ano passado, depois de seis anos juntos.
O diretor chama sua mulher de a notória Soon-Yi Previn e parece deixar que ela fique no comando das situações. Em uma cena em que os dois estão na piscina do hotel Ritz, em Paris, ele diz que só vai dar mais algumas braçadas porque está cansado. Você vai dar muitas braçadas, diz ela, fazendo com que ele obedeça. Soon-Yi também aparece repreendendo Allen por ele só se dirigir ao líder da banda, Eddie Davis. Você parece um louco quando só fala com ele!, diz ela. Seria muito mais amável você dizer para os outros músicos o quanto eles tocam bem.
Entre uma apresentação e outra, Allen e Soon-Yi aparecem também fazendo ginástica (momento em que ele diz que a esteira rolante é a invenção mais repugnante do mundo) e conversando sobre filmes. Aí, outra surpresa: ela diz que não viu muitos dos filmes dele e nunca leu seus livros. Assisti Interiores (de 1978), mas achei longo e entediante, diz ela.
O diretor parece uma versão ainda mais exagerada dos personagens neuróticos que interpreta em seus filmes. Momentos antes de um show em Londres, ele observa: Se eu não tocar bem, essas pessoas vão me odiar em minha própria língua. Ele se mostra ansioso, reclamador e sempre começa o dia com seu coquetel composto por vários tipos de vitamina, uma aspirina infantil e antibióticos.
Ao voltar para Nova York, o casal vai visitar os pais de Allen. A mãe do diretor, Nettie, de 91 anos, diz que não acha correto ele ter se casado com uma garota asiática. Ele deveria ter se assentado com uma moça judia, diz ela na frente de Soon-Yi, que solta uma gargalhada.
De acordo com Barbara Kopple, que já ganhou o Oscar por seu documentário Harlan County, USA (sic), Soon-Yi é a pessoa que realmente faz com que o cineasta mantenha o equilíbrio. Depois de terem virado alvo dos tablóides norte-americanos quando Mia Farrow descobriu que seu então companheiro estava tendo um caso com sua filha adotiva, o casal nunca havia comentado publicamente seu relacionamento.
Desde o casamento na Itália eles resolveram mudar de postura. Soon-Yi, que está se formando em educação infantil na Universidade de Columbia, em Nova York, se mostra mais participativa do que o esperado e plenamente em controle do relacionamento com o marido, que é 33 anos mais velho que ela. Acho que esse filme é realmente sobre juventude e idade avançada, diz a diretora. Ele precisa de Soon-Yi para as pequenas coisas da vida.





