Curitiba - Para preencher um vácuo existente na discografia paranaense, o grupo de música regional Viola Quebrada de Rogério Gulin, Margareth Makiolke e Oswaldo Rios, lança neste domingo, às 11 horas, na Livraria Dario Vellozo, o álbum duplo Viola Fandangueira.
O trabalho é resultado de mais de dez anos de pesquisa de Gulin e traz uma grande participação da família Pereira de Guaraqueçaba, Litoral do Paraná. ‘‘Tivemos que viajar muito para encontrar os Pereira. Um deles mora tão longe que sua casa fica a 4 horas de barco saindo de Guaraqueçaba’’, contou por telefone Oswaldo Rios. O músico já trabalha há bastante tempo com a música caipira dentro do Viola Quebrada, mas a experiência com o fandango é uma novidade para eles. Tanto que o grupo nunca tocou o estilo musical, que chegou ao litoral paranaense com os primeiros casais de colonos açorianos, por volta de 1750, e passou a ser batido principalmente durante o entrudo (carnaval), ao vivo. ‘‘Nunca tocamos em shows, somente em estúdio para a gravação dos discos. Mas a emoção de ver uma apresentação é muito grande’’.
O fandango tem origem espanhola mas foi trazido por aventureiros que no passado se espalharam pelo nosso litoral. A saudade de suas terras os levava a buscar na dança uma forma de matar a saudades. Destas rodadas nasceu o contato com os silvícolas que também faziam uma dança de roda. O encontro deu origem ao fandango parnaguara, uma mistura de fandango espanhol com as danças dos índios carijós.
‘‘Meu primeiro contato com o fandango foi em 1984, quando fiz uma pesquisa para um espetáculo do grupo de teatro de bonecos Filhos da Lua’’, conta Gulin. ‘‘Ficamos três meses pesquisando e disso saiu uma peça, que ficou dois anos em cartaz e viajou por várias cidades’’.
A gravação dos dois CDs aconteceu no Estúdio Sollo, em Curitiba, entre agosto e novembro de 2001. No primeiro, a participação dos mestres fandangueiros Eugênio dos Santos (viola, pandeiro e voz) e Pedro Pereira (rabeca) incrementou um repertório embasado nas pesquisas de Rogério Gulin.
Já o segundo trabalho traz um registro da tradição mantida pela Família Pereira há várias gerações em Rio dos Patos, no município de Guaraqueçaba. Avós, irmãos, primos e netos se dedicam à cultura do fandango, tocando, dançando e construindo seus instrumentos. ‘‘Não existe no litoral do Paraná uma família tão grande que mantém esta tradição. Se formos rastrear, tem umas 50 pessoas da família que tocam e fabricam instrumentos, desde o avô de 90 anos até as crianças mais novas, e eles fazem porque gostam’’, destaca Rogério Gulin.
Para os Pereira, o fandango é uma forma de expressar seus sentimentos de tristeza, amor, alegria e saudade - emoções que estão presentes em todas as faixas do CD. Para o Viola Quebrada, a realização deste projeto é um tributo à riqueza do folclore brasileiro e uma declaração de amor à nossa música.
Serviço: Hoje, o CD duplo será sendo vendido a R$ 25 na manhã de autógrafos na Livraria Dario Vellozo, em Curitiba.

mockup